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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Quarta-feira, 30 de Maio de 2007, 22h:29

FESTIVAL

Reeducandas recebem Cinema Paradiso

segunda-feira passada (28/05) seria, para as moradoras da Unidade Prisional Feminina - Ana Maria do Couto, mais um dia como outro qualquer, muito disciplinado e ordenado, não fosse uma invasão nada convencional: a cena audiovisual pediu passagem e armou o espetáculo, por meio do projeto “Cinema Paradiso”. O zum-zum-zum dos corredores demonstrava uma certa movimentação incomum das hóspedes da casa, talvez pela ansiedade em manter contato com o mundo exterior. A capela do local, muito simples, totalmente singela e com espaço para umas 50 pessoas, foi adaptada para conseguir abrigar aquele evento, demonstrando uma interface incomum entre religião e cultura. O espaço de orações acabou por transformar-se num local de encontro com a magia da 7ª Arte, que também não deixa de ter seus dogmas e seus devotos. Com roupas coloridas e olhares curiosos, as meninas lotaram a “sala de cinema” e puderam viajar para outras realidades, outras vidas, outros espaços, outras ruas, outros “eus”, num processo de possibilidade de re-contato com o mundo real, fora das grades, ou, ainda, no tato com o mundo externo, que possui uma certa “liberdade social”. “Todos gostam de cinema. Vejo que o pessoal aqui fica sem muito o que fazer, sem ter com o que ocupar. É bom assistir filmes, porque o cinema ensina muito. É bom para a mente, para nos distrair. Eu acho que deveria ter sempre. E cada um dos quatro filmes que foram passados demonstram várias coisas”, analisou Sandra Helena de Oliveira, 32 anos, dona de casa que cumpre uma pena de cinco anos e seis meses. O trabalho de aproximação com a realidade social é promovido pelo Instituto Cultural América (Inca), entidade realizadora do 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. O Cinema Paradiso acontece há 12 anos paralelamente ao Festival, como forma de levar o audiovisual a públicos que não podem acompanhar toda a programação oferecida nos sete dias. “É por meio deste projeto, que conseguimos oferecer cultura cinematográfica a um público que dificilmente teria acesso à sala de cinema. Primeiro porque são reeducandas e segundo, que certamente elas não teriam condições de freqüentar um cinema comercial, que custa cerca de R$ 12,00 o ingresso”, destaca o coordenador do projeto, Cristiano Costa. “Gosto do cinema pelos estímulos positivos que ele possibilita, como o incentivo ao amor a arte, e pela forma educativa com que ele pode ser trabalhado”, explicou a diretora da unidade prisional Dinalva Oriedi Silva Souza. Foram exibidos os seguintes títulos: “A Última Chuva” (vídeo/MT), “Vida Maria” (curta/CE) e “Vai indo que eu já vou” (curta/SP).

Edição EDIÇÃO 16969




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