A militância no jornalismo cultural em uma cidade é tarefa muito especial. Escrever comentando a produção artística de uma região implica em estabelecer critérios seletivos com algum grau de rigidez acerca do que merece ser destacado no cotidiano. A regra básica é a relevância da contribuição para o movimento artístico-cultural da localidade em questão. Evidente que, por ética, se devem evitar oportunismos temáticos e lingüísticos colimando promover interesses particulares. Natural que se pense na crítica aqui como uma reflexão coletivizante em prol do progresso civilizatório da cidadania. Agora, idealizem pensar no resgate historiográfico das atividades culturais retratadas em crônicas e resenhas de um dado lapso de tempo. Então, realizando o deslocamento de matérias sobre as artes, das páginas de um jornal para editá-las na forma de um livro. Foi isso mesmo que a PubliFolha a divisão de publicações do Grupo Folha de São Paulo , fez há algum tempo. O resultado foi uma jóia preciosa no formato de um volume contendo 750 páginas. O livro intitulado Em Branco e Preto: artes brasileiras na Folha contou com a idoneidade editorial do Professor Arthur Nestrovski. O magnífico projeto abarca 13 anos de periodismo cultural paulista nas artes plásticas, cinema, dança literatura, música clássica, música popular e teatro. A obra é ideal para quem quer se iniciar na escrita jornalística envolvendo essas áreas. Claro que o livro traz excelentes cogitações para profissionais tarimbados e estudantes de todos os semestres de cursos em comunicação social com ênfase em jornalismo. A equipe de produção reuniu vários especialistas em projeto gráfico, pesquisa no banco de dados do jornal, editoração eletrônica e revisão. Isso sem contar os jornalistas que produziram os artigos da coletânea em cada sessão exclusiva, os quais foram coordenados por um jornalista da área. Por exemplo, a abordagem sobre cinema foi liderada pelo crítico Pedro Butcher que trabalha na Folha de SP e edita o web-site Filme B. No prefácio da lavra de Nestrovski já fica claro que o livro não quer apenas apresentar uma mera antologia dos melhores textos publicados naquele importante jornal brasileiro. Também cristalino é o fato de que cada coordenador de área gozou de liberdade para escolher os textos no sentido de realizar uma leitura fiel das artes brasileiras numa década e meia. O organizador geral observa que o jornalismo cultural tem perdido sistematicamente espaço na mídia do país para as novas tendências do mercado consumidor de notícias. Assim, o livro é uma espécie de alerta para que os jornais em todo o Brasil mantenham o espaço de um jornalismo que contribui para a formação crítica da cultura nacional. Fico aqui pensando como seria interessante e estratégico para o debate sobre as artes regionais se todos os editores e proprietários de jornais das unidades da Federação realizassem um projeto semelhante. Pesquisar em seus próprios acervos e arquivos, as matérias jornalísticas sobre a música local, as artes plásticas da região, a literatura estadual. Não precisa de muito: publicação em brochura e papel jornal. O objetivo é realmente preservar a memória das manifestações artísticas do povo. Nisso, o livro Em Preto e Branco já é um clássico do jornalismo cultural que merece ser lido por seu conteúdo. E aplaudido pela iniciativa político-editorial inspiradora de novas reações combativas em favor da cultura e do jornalismo nacional. SERVIÇO: O que é? Livro: Em Branco e Preto Organização Geral: Arthur Nestrovski Onde: http://publifolha.folha.com.br Ney Arruda é professor universitário, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), violinista cuiabano e colabora com o DC Ilustrado, (
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