NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 11 de Agosto de 2009, 20h:24

Político, atual e humanista

Laureado com o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes, “O Silêncio de Lorna” (Le Silence de Lorna, Bélgica, 2008/Imovision), dos irmãos e cineastas belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (dos poucos que têm duas Palmas de Ouro do famoso e citado certame cinematográfico, por “Rosetta”, em 1999, e “A Criança”, em 2005), foca, novamente, o seu cinema humanista onde exploram as questões sociais e econômicas da Europa, dos fluxos migratórios, da globalização, sempre investigados com sensibilidade em suas obras. Na bem-costurada trama, Lorna (Arta Dobroshi, excelente), jovem imigrante albanesa, vive na Bélgica, onde sonha abrir uma lanchonete com seu namorado Sokol (Morgam Marinne). Entretanto, sem dinheiro, ele acaba aceitando participar de um esquema escuso planejado por Fabio (Fabrizio Rongione), casando-se com Claudy (Jerémie Renier), num desempenho dilacerante e de impressionante transformação física, um viciado em drogas. Para Lorna, o casamento de aparência é uma forma de conseguir a cidadania belga. Para Claudy, fonte para sustentar o vício. A idéia é Lorna se casar logo em seguida com o mafioso russo Misha (Alban Ukaj), disposto a pagar muito por isso, pois, também, busca sua documentação. Para que esse segundo casamento se dê rapidamente, Fabio tenciona matar Claudy com uma overdose de heroína. No entanto, Lorna acaba se apegando a Claudy, e se nega a compactuar com o crime. E, quando a compaixão intervém, o inesperado toma conta. Os sentimentos afloram em corações desavisados, a realidade se transforma à revelia do que parecia ser um futuro certo. Com o seu peculiar distanciamento que evita o óbvio em termos cênicos, os Dardenne, aqui, estão mais contidos, distanciados do íntimo de seus personagens. A câmera observa, mais do que explora. Isso não significa que estejam menos contundentes – seus filmes nunca são menos do que bons. Mas, ao apontar para uma situação já lugar-comum no cinema e deixar o desfecho em aberto, a dupla de realizadores mostra que, embora trabalhassem com personagens densos em com um enredo em ebulição, deixaram-se levar pela apatia, por falta de idéias para prosseguir ou por ausência de inspiração - ainda que muitas situações na vida serem inconclusivas. (J.C.)

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL