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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 17 de Julho de 2010, 13h:02

CRÔNICA

Poesia

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
A poesia nunca falha. Mesmo quando triste e melancólica consegue o mesmo efeito que um presente especial. Provoca e surpreende. Mexe com os brios e forma bolhas de ar de pensamentos quase infantil. Livre, vagueia numa imensidão de carícias e perfumes. Algumas conseguem arrancar gracejos de lábios sedentos. Lágrimas de olhos vorazes. Faz o mundo das apresentações experimentarem um fácil extase controvérso. Onde o lírico dominante se completa. Mesmo quando a rima é fajuta o conjunto consegue impressionar. Para o prazer, os versos não tem limite. A poesia é prima irmã do amor. Por isso todo romance é poético, ou pelo menos aprendiz de trovador. A poesia permite escrever entre as linhas tortas que o endereço é o mesmo, o coração. Consegue levar mais açúcar a vida que o mais puro mel. O amor sem poesia é chato. Praticamente não existe. É uma embalagem vazia de pura enganação. Estaciona entre os desencontros e o conforto do prazer. Sem energia, morre antes mesmo de iniciar. O amor necessita do encanto da poesia. Da dança dos versos e da interpretação lúdica. Não dá para falar de amor sem poesia. Seria um beijo sem sucesso. Apesar de antipático e totalmente ultrapassado é preciso ser poeta pelo menos um pouquinho para amar. Pagar um mico super legal de andar de mãos dadas e chutar algumas breguices, sem compromisso, de vez em quando. Sorrir da própria ignorância das velhas regras e ser despojado de algumas coisas que fazem a diferença. Molhar na chuva sem medo de ser feliz. Entrar naquela onda de cantar velhas canções mesmo desafinado. Amar é se sentir irresponsável em alguns momentos que ficarão marcados para sempre. A poesia não explica essa rima. Porém, dá um ritmo tão acelerado ao coração capaz de fazer o rosto corar, as pernas bambearem e o tempo simplesmente estacionar. Aguardar um minuto de razão esquecida. Uma parte do perdão que não vem. Como um pedaço de paz que o sonho escreveu. O mundo depois da poesia fica rosa e o verão faz a vida ser eterna. O amor expressa a mesma gratidão com versos infantis de rimas fáceis e quadrantes bem acabados. Exige a mesma dedicação de cada poeta apaixonado. Cada verso é um espaço feito do tamanho certo da paixão. É escrito em cada coração com a mesma intensidade. A prática da poesia é tão provocante que em cada beijo se descobre uma rima. Em cada afeto se constrói um episódio. E apesar da maioria dos sonhos ficarem pelo caminho a poesia permanece viva em cada verso. Completa e pura como uma forma de amar. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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