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ILUSTRADO
Terça-feira, 13 de Maio de 2008, 21h:00

CULTURA

Os projetos especiais

Secretário de Cultura de MT destaca projetos especiais da Pasta e comenta outros assuntos que geram polêmicas e dúvidas por aí

Cláudio de Oliveira
Da Reportagem
Uma conversa franca com o secretário de Cultura do Estado, Paulo Pitaluga, aponta caminhos promissores para a cultura mato-grossense. Ele frisa que não tem absolutamente nada contra o seu antecessor João Carlos Vicente Ferreira, a quem inclusive elogiou por suas ações na pasta, salientando que está dando continuidade aos projetos iniciados por ele, como as ações relacionadas a espaços como o Seminário da Conceição, Ponte de Ferro, Cineteatro e outros. Nas suas palavras:”ele fez uma administração boa e dinâmica, e em sua visão necessária e possível de ser desenvolvida. Agora, eu, tenho uma visão diferente da dele.” Outro ponto que continua gerando polêmica em relação a administração de Pitaluga diz respeito aos artistas já consagrados. Quando questionado, o secretário é enfático: “Não. Os artistas já consagrados não terão apoio do Fundo, porque o Fundo chama-se Fundo Estadual de Fomento à Cultura e o que significa fomentar? Vamos aplicar a definição do (dicionário) Aurélio que diz que fomento é: promover o desenvolvimento, o progresso de algo.” O secretário tocou em um ponto fundamental que é a distribuição. Sua intenção neste aspecto é dar visibilidade aos trabalhos já produzidos, especialmente em música, pois inúmeros CDs foram produzidos e estão engavetados na casa dos artistas sem alcançar o público final. “Acredito que no ano que vem devamos focar mais este aspecto de divulgação e distribuição” sentencia Paulo. Com relação aos problemas que parecem insolúveis como o Cineteatro e a Literamérica, o secretário se mantém otimista e sente que o impasse está sendo resolvido. O Cineteatro Cuiabá, ele explica, está com as obras físicas entregues, e não há mais nada a ser feito sob este aspecto, “estamos com três equipes trabalhando sendo que a primeira do ar condicionado está encerrando os ajustes finais já que está tudo instalado, a parte de cenotécnica que é muito complexa e está sendo executada juntamente com a sonorização. Acabando isto entra a equipe das poltronas e está entregue o teatro. Acredito que até o começo de agosto estaremos devolvendo esta jóia brilhando para a sociedade cuiabana.” Com isso a secretaria programa uma grande reinauguração para o cineteatro em setembro com apresentação da orquestra. Em um primeiro momento o teatro será exatamente isto, um teatro. A expectativa é que os aparelhos de projeção serão viabilizados somente a partir de fevereiro do ano que vem, já que o projeto prevê a projeção a partir de três bitolas diferentes inclusive a digital e o equipamento está sendo adquirido. Conforme Pitaluga, o Cineteatro será a casa da Orquestra do Estado, abrigará um Corpo de baile, ou melhor, uma Companhia de Dança do Estado que será criada devido a uma grande demanda criada por diversas academias de dança distribuídas por todo o MT. Estima o secretário que sejam mais de duzentas escolas de ballet. Ele declara: “o foco será basicamente este: música, teatro e dança e, em um segundo momento, cinema que é vital e muito importante. Temos cem anos de cinema.” Para viabilizar a administração deste espaço e outros que estão sendo criados o secretário pretende desenvolver parcerias com o terceiro setor. Para isso inclusive já encomendou uma minuta de edital a um grande advogado que está finalizando o mesmo que deve ser tornado público no máximo até o dia 15 de junho para a gestão do Cineteatro. A Literamérica que as más línguas enterraram sugerindo uma picuinha entre os gestores, está programada para o ano que vem. Paulo disse que do ponto de vista financeiro é inviável produzir a Festa Internacional do Pantanal e a Literamérica no mesmo ano. O investimento em ambas somaria um custo de quatro milhões de reais. Portanto, de acordo com o secretário, podemos esperar uma Literamérica 2009 grandiosa e com todo o foco necessário, concentrando esforços para a sua realização. Com relação ao alto valor empregado na Orquestra do Estado o secretário salienta que esta é uma ação de governo. É uma ação reconhecida como estratégica para o Governo do Estado. O custo total da Orquestra é de seis milhões de reais e o governo faz um aporte de R$ 1,5 milhões. “Esse negócio da classe artística achar que é muito dinheiro eles podem achar, mas acho que nós temos que mudar esta composição do Conselho, o que é ação de governo é ação de governo listada no PPA para o orçamento da pasta e o que é verba para projetos: música, cinema, teatro e outros passa pelo Conselho.” Outro imbróglio é o Centro Histórico de Cuiabá. O IPHAN está determinado a transformar o Centro Histórico recuperando as casas e enterrando os cabos de telefone e energia o que daria à região um visual extraordinário. Porém, além dos custos elevados, só para rebaixar os fios custaria R$ 8 milhões e, segundo o secretário, ainda existe problema de convencer os proprietários dos imóveis a permitir as intervenções necessárias e às vezes, a compartilhar os custos. Apesar disso, ano que vem, a secretaria, junto com o IPHAN, pretende dar encaminhamento a este projeto. Por enquanto a prioridade junto com este órgão é Vila Bela da Santíssima Trindade, Cáceres e a Usina de Itaici. Entre os xodós do atual secretário está a própria Usina de Itaici e um trabalho programado de revitalização do cais do Porto antigo(século XVIII) e da rota do Rio Abaixo, que inclui um trabalho de pesquisa com a população ribeirinha a ser desenvolvido. E também, o recém lançado Museu de Artes de MT e o Seminário da Conceição que Pitaluga pretende tornar uma referência na produção cultural do estado e do Brasil. Além disso está programando um núcleo de música sacra na igreja do Bom Despacho para o qual pretende viabilizar um órgão tubular como aqueles da Idade Média.

Edição EDIÇÃO 16959




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