ILUSTRADO
Sábado, 05 de Novembro de 2011, 12h:45
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BALANÇO
O tradicional e o novo juntos
Uma orquestra que nasceu em Mato Grosso, tem o estado em seu nome e está projetando-o para todo país. Assim é a Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT), que foi conquistando um público cativo ao longo de sete temporadas de concerto. A trajetória da OEMT começou no Teatro do Sesc Arsenal, já sob a direção artística do maestro Leandro Carvalho, e muita gente se revoltava por não conseguir ingresso para as apresentações, sempre com preços acessíveis (hoje a inteira custa R$ 10 e a meia entrada, R$ 5). Com a inauguração do Cine Teatro Cuiabá, a OEMT ganhou uma nova casa, mais ampla. Mesmo assim, os concertos continuam lotados. Mas qual é o diferencial da OEMT, na avaliação de Leandro Carvalho? Ele acredita que o maior seja a criatividade, traduzida na busca permanente por novas sonoridades e a capacidade de correr riscos, sem abandonar a diretriz de inserir um instrumento tipicamente mato-grossense, a viola de cocho, na maioria dos concertos. Outro diferencial, acrescenta, é a vitalidade dos músicos, isto é, a disposição constante de fazer música de alto nível. A gente nunca cumpre tabela e leva para os concertos esse frescor, que acaba contagiando o público, acredita o maestro. Ele diz que tudo isso faz com que o trabalho produzido pela OEMT esteja repercutindo no resto do Brasil: A gente faz o repertório tradicional, porém está sempre buscando novos caminhos. Carvalho está satisfeito com os resultados da Temporada 2011, onde foi possível dar sequência a todas as séries: os Concertos Oficiais, realizados no Cine Teatro Cuiabá; os Concertos Didáticos para escolas da rede pública e privada de Cuiabá, Várzea Grande e Nobres; e os Concertos Populares, que contemplaram sete cidades de Minas Gerais e Goiás com apresentações abertas e gratuitas (além de Rondonópolis, em MT). A continuidade da série de Concertos Didáticos em 2012 já está garantida graças à renovação do patrocínio do Instituto Votorantim. Quanto às demais séries, os patrocínios ainda estão sendo (re)negociados. A série de Concertos Oficiais vai acontecer de qualquer maneira, através da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC-MT), mas o diretor artístico explica que o apoio dos patrocinadores garante aquele algo a mais, como a vinda de solistas e regentes convidados. Outra vertente que vem ganhando destaque é a gravação de CDs como uma forma de registrar encontros especiais, como o que está ocorrendo esta semana com músicos argentinos em torno da obra de Astor Piazzolla e o que aconteceu em outubro com a obra do violinista mineiro Flausino Vale, que trouxe a Cuiabá o violinista italiano Emmanuele Baldini e o violeiro mineiro Roberto Corrêa. O CD que estamos gravando é o sétimo da OEMT e o segundo deste ano. É raro uma orquestra no Brasil gravar tanto. A inauguração do estúdio Inca em Cuiabá nos deu essa condição: a de aproveitar a vinda de músicos convidados para os concertos com a gravação de CDs que eternizarão esses encontros, possibilitando a outras pessoas conhecerem o resultado desse trabalho tão especial, conclui Carvalho, que vem conciliando desde o início deste ano a direção artística da OEMT com a regência principal da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, no Rio de Janeiro.