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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 22 de Setembro de 2012, 14h:12

SEMINÁRIO

O pensamento de Paulo Emílio

As singulares chaves conceituais, a personalidade intelectual marcante e o incisivo pensamento de Paulo Emilio Salles Gomes (1916 – 1977) – um dos maiores historiadores e teóricos do cinema brasileiro e o grande homenageado do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – foram apresentados pelos renomados críticos Ismail Xavier e Alfredo Manevy, na última quinta-feira, 20, no Kubistchek Plaza Hotel. Integrando o seminário “Paulo Emilio e a crítica cinematográfica”, que se prolongou até ontem (22), e mediada pela vice-presidente da Abracine, Ivonete Pinto, a mesa “Cinema brasileiro – atividade ainda cíclica” partiu do seminal ensaio “Cinema brasileiro: uma trajetória no subdesenvolvimento” para questionar se a produção nacional vive ainda de ciclos interrompidos ou já está engrenada em um processo de continuidade. Para uma plateia atenta e numerosa, Alfredo Manevy falou sobre a atualidade do de Paulo Emilio, “esse grande formulador do cinema brasileiro”, acrescentando que “faço parte de uma geração que acessou esse pensador por meio de seus escritos, sou testemunha e produto disso”. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Manevy ressaltou a importância do conceito de “campo cinematográfico” lançado por Paulo Emilio, que compreende não apenas a produção dos filmes em si, mas um complexo sistema, o qual inclui o público, a recepção, a crítica, “a dimensão social, enfim”. De acordo com o professor, Paulo Emilio apontou a dualidade entre arte e indústria, não de modo trágico, mas em sua “tensão real e produtiva”. Também chamou atenção para o caráter elegante, porém franco com que fazia crítica: “sua generosidade contemplava até mesmo os adversários, embora com o rigor afiado de sempre”. Manevy reiterou a importância de Paulo Emilio no desenvolvimento de um pensamento verdadeiramente crítico e comprometido com um desenvolvimento no qual a cultura é eixo dos mais estratégicos. Uma verdadeira aula. Assim foi a participação no seminário de Ismail Xavier, um dos principais críticos e teóricos de cinema da atualidade, ex-aluno de Paulo Emilio e professor da Universidade de São Paulo (USP) desde 1971. Com absoluto domínio da obra e pensamento do mestre, discorreu com naturalidade sobre os principais aspectos teóricos lançados pelo ensaísta nos anos 60 e 70, aproveitando para esclarecer e melhor contextualizar conceitos que se notabilizaram, como “trajetória do subdesenvolvimento” e o par “ocupante-ocupado” . Xavier explicou que o texto-chave de Paulo Emilio parte de uma concepção teleológica de subdesenvolvimento, na qual é entendido como “estado” e não “estágio”. Aproveitou também para elucidar que a oposição “ocupante-ocupado” foi mal interpretada na época, já que o autor circunscrevia essa dualidade sob a perspectiva de estratificação social e de ocupação/domínio territorial brasileira não sob a acepção imediata. “Na verdade, os fazedores do cinema novo eram ocupantes, e não ocupados como se diziam, simplesmente porque, em geral, provinham de uma situação econômica privilegiada, uma classe média bem formada, ou seja a própria esfera do ocupante”, esclareceu.

Edição EDIÇÃO 16964




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