ILUSTRADO
Sábado, 06 de Março de 2010, 14h:04
A
A
VIRTUOSE
O guitarrista que o Brasil não conhece
Premiado duas vezes em Montreux, Diego é figura constante no Hemisfério Norte
Lauro Lisboa Garcia
Agência Estado
George Benson, Pat Metheny, Al Di Meola, Roberto Menescal e o mestre Paulinho Nogueira estão entre os grandes ases das cordas que se encantaram com o estilo e a sofisticação da guitarra de Diego Figueiredo. Paulista nascido em Franca, ele foi premiado duas vezes em Montreux, é figura constante nos grandes festivais de jazz no Hemisfério Norte, gravou dez discos em nove anos, mas só agora tem um segundo trabalho em edição nacional, \"Vivência\" (Biscoito Fino), o oitavo da carreira. Já é mais do que hora de o Brasil conhecer melhor esse fenômeno. Sorte de quem teve a sorte de vê-lo no Auditório Ibirapuera semana passada, tendo como convidados o pianista André Mehmari e o cantor Jair Rodrigues. Diego também tocou acompanhado de Eduardo Machado (contrabaixo), que participou da gravação do CD, e Alex Reis (bateria). O roteiro do show deu ênfase ao repertório do CD, que tem um acento mais jazzístico que o primeiro lançado no Brasil, \"Segundas Intenções\", de 2001. Aos 29 anos, o precoce Diego reconhece que o novo trabalho tem uma linguagem mais internacional, digamos. Tanto é que no exterior os elogios partem justamente por esse diferencial: a formação de baixo, guitarra acústica e bateria e a maneira que Diego toca a guitarra, sem palheta, misturando acordes com melodia. \"Esse lado jazzístico foi mais exposto aí, porém em clima de raízes brasileiras. A maioria dos temas é de bossa, baião, samba\", observa Diego. Depois de \"Vivência\", Diego já gravou outros dois CDs, encontráveis na internet. Reouvindo \"Segundas Intenções\", sobre o qual Pat Metheny fez uma dissertação, ele lembra que foi elogiado pela \"maturidade\" artística, apesar de ter na época de 19 para 20 anos. Hoje Diego tem base fixa em Portugal e passa quatro temporadas por ano na Europa e três nos Estados Unidos. Quando vem a São Paulo, hospeda-se sempre no mesmo flat, mas nunca de fato se mudou de Franca, onde nasceu. \"Este ano quero intensificar meu trabalho no Brasil\", adianta o músico. O cabelão black power pode induzir o ouvinte a esperar outra coisa dele. Até Paulinho Nogueira, quando o viu, aos 15 anos, achava que era roqueiro, mas depois elogiou dizendo que foi \"a guitarra mais bem tocada que já tinha ouvido\". O toque de Diego tem uma certa delicadeza masculina, sem afetação, encontra semelhança no estilo sutil de Paulinho. \"Essa sutileza que eu coloquei na guitarra ele tinha mesmo no violão. Não tive muito tempo de estudar as coisas dele, mas certamente é uma referência.\"