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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 12h:42

RESENHA

O Grito Rock e a latrina única

Nosso resenhista buscou diversão durante o carnaval, mas não deu tudo certo

Ney Arruda
Especial para o Diário de Cuiabá
O carnaval 2009 veio cheio de promessas. Convidei todos que pude. Éramos vários amigos no Clube Feminino. O sábado gordo carnavalesco seria celebrado com os conjuntos ‘roquenrou’ daquela noite. O folder de divulgação do Grito Rock estampava solenemente. Seis dias, 60 bandas, cerveja gelada e shows alucinantes. Pois, o primeiro delírio já foi à entrada: sem direito a meio ingresso para estudante. O som estridente irritava o pavilhão auditivo dos mais sensíveis. No palco, quando chegamos estava uma banda meio estranha. Cujo vocalista seminu exibia uma enorme prótese peniana de borracha. Coitado, desafinava tristemente. E o seu balangandã, provável parte de sua fantasia, soava de péssimo gosto para a platéia. Bom, depois da terceira latinha da famigerada “Sol”. Fui ao toalete. Qual minha surpresa quando percebi que eu era o último de uma fila de 10 caras. Também? Era um vaso único para satisfazer as necessidades fisiológicas de uma clientela masculina estimada em 350 foliões. Que dirá o que acontecia no banheiro das mulheres...? Aí não teve jeito. Convoquei a turma para usarmos o banheiro de baixo após as escadeiras no andar térreo. Nisso, o “leão de chácara” de plantão disse: “Se sair, não volta mais!”. De repente, caiu a ficha de que não havia possibilidade de as pessoas circularem livremente pelos recintos do Clube Feminino. Bah! Quer saber? Fomos embora! O baile popular do Largo da Mandioca estava ainda animado e podíamos caminhar com liberdade. Na segunda de carnaval não consegui convencer mais ninguém a irmos ao Grito Rock. Bem que tentei. Sou fã incondicional de música ao vivo no palco. Foi aí que rolou a idéia coletiva de irmos a um outro lugar, o Clube de Esquina. Lá a Sixtons arrasou com a cara da galera. O melhor rock cover de Cuiabá trouxe suas maravilhosas interpretações dos ‘Rolling Stones’, ‘The Police’, e até o blues de John Lee Hooker entre outros. Lá pela uma da madrugada embaixo de um toró super gostoso subiu ao palco o Mandala Soul Band. Show de performance daquele grupo. Danilo Bareiro, este sim, alucinou com sua guitarra enfeitiçada. O Club de Esquina pegou fogo. Na porta do banheiro não havia fila. A mulherada ensandecida dançava solta na frente do palco. A cerveja de múltipla escolha estava geladíssima. E comemoramos também o aniversário da querida jornalista Lidiane, editora do caderno cultural da Folha do Estado. Moral da história: pra fazer bem feito, tem que planejar. Nada de realizações no afogadilho. E como diria o saudoso comediante Liu Arruda: “quem não ‘guenta’..., não faz propaganda de...”. Ney Arruda* é professor universitário, advogado, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), estudante da arte do violino e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16964




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