ILUSTRADO
Sábado, 05 de Maio de 2007, 13h:13
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AUDIOVISUAL
O cinema vai à floresta amazônica
Alta Floresta realiza a primeira edição do seu festival de cinema, celebrando destaques das produções mato-grossense e nacional
ADRIANA NASCIMENTO
Da Reportagem
Para mostrar que no interior também se faz arte o Teatro Experimental de Alta Floresta (Teaf) movimenta o Nortão do Estado há alguns anos e se firma nos cenários nacional e estadual. Sua última empreitada é o Festival de Cinema na Floresta, que celebra o que há de melhor no audiovisual em Mato Grosso e no país. A primeira edição do evento começa neste domingo e vai até dia 12 em Alta Floresta. A idéia do grupo é integrar a tribo dos que fazem, da dos que produzem e difundem cultura, para não serem apenas o cenário, o pano de fundo, onde as coisas acontecem. Na iniciativa unem-se o Teaf - sob a direção de Agostinho Bizinoto - e a Cia DArtes do Brasil, de Amauri Tangará. Durante uma semana, serão exibidos, vídeos, curtas, médias e longas-metragens, vindos dos mais diferentes estados do Brasil e até países convidados como Bolívia e Portugal. Como os pés deste evento estão fincados na Amazônia, ele não poderia deixar de ter uma grande preocupação com o meio ambiente e com a preservação da Floresta, razão pela qual, dentro do festival, todos os anos, haverá uma mostra específica dedicada aos filmes sobre a floresta, denominada Viva Floresta Viva. Nesta primeira edição os filmes escolhidos foram: Alô, Alô Amazônia de Gavin Andrews, produzido pelo Doc TV III e Sementes, produzido em Alta Floresta, fruto de uma oficina do 13º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. Estão programados para o evento os longas de expressão nacional como Cafundó, de Paulo Beti e Clovis Bueno, e Narradores de Javé, de Eliana Caffé. Visando formar platéia a idéia é atingir todos os alunos da rede pública do município nas sessões diurnas, onde, todos os dias, às 8h30 e às 14h30 serão exibidos os filmes O Minhocão do Pari, animação de Marcelo Okamura, e o primeiro longa de ficção mato-grossense A Oitava Cor do Arco-Iris, de Amauri Tangará. As tardes estarão reservadas para oficinas, palestras e bate-papo. Midias Alternativas, O Cinema Fora do Eixo e O Cineclubismo Brasileiro, são alguns dos temas que serão discutidos durante o Festival. Nas sessões noturnas, vídeos e curtas mato-grossenses, além de longas brasileiros, concorrerão ao troféu Capivara de melhor trabalho em cada segmento. A escolha dos melhores trabalhos ficará a cargo do público, que votará ao final de cada sessão em suas preferências, através do voto eletrônico. Cineastas como Maurice Capovilla, um ícone do Cinema Novo, Eliane Caffé, Geraldo Moraes, Paulo Betti e Amauri Tangará, foram convidados a exibirem seus filmes nesta primeira edição. O sexto longa a Ilha de Arlequim, de Zeca Medeiros, convidado português para o evento, se destaca por relatar a história verídica de como um grupo de teatro da ilha açoriana do Faial encontrou um espetáculo pronto, dentro dos containeres de um navio naufragado. Lançamento Outro destaque é o lançamento nacional do curta-metragem Parabéns Vitor, de Léo Santana. Durante o Festival, uma oficina com duas turmas orientadas, por Amauri Tangará, ensina a sétima arte, desde a criação do roteiro, até a edição final. Desta oficina, sairão dois vídeos que devem ser exibidos na noite da premiação. A expectativa é a melhor possível, relatou Tati Mendes, da Cia DArtes do Brasil, diretora de produção do evento. Chega a ser emocionante o interesse das pessoas por conhecer mais sobre cinema, sobre o audiovisual nesse extremo norte do estado. Queremos aproveitar a oportunidade, para fundar um cineclube em Alta Floresta, para que não seja o Festival o único evento a divulgar e discutir o cinema na cidade comentou Mendes.