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ILUSTRADO
Sábado, 17 de Julho de 2010, 13h:03

CD

O chorinho do Brasil e o estilo mutante

Lauro Lisboa Garcia
Agência Estado
Embora esteja vinculado à ancestralidade da música popular na memória coletiva, o choro é mais do que um estilo clássico, é um mutante. Uma coleção representativa de suas diversas formas de vida começou em 2007 e ganha agora o volume 2. Trata-se do projeto "Chorinho do Brasil", com caixas de 5 CDs cada, idealizado por Carlos Alberto Sion, com textos de Henrique Cazes e pesquisa de ambos, experts no assunto. Como no volume 1, o segundo só tem intérpretes e arranjadores de primeira - Severino Araújo, Radamés Gnattali, Ademilde Fonseca, Jacob do Bandolim, Quinteto Villa-Lobos, Altamiro Carrilho, Déo Rian Dominguinhos e Waldir Azevedo, só para citar os mais evidentes. Entre as gravações mais antigas estão as de Severino Araújo e a Orquestra Tabajara, que predomina em "Quando o Choro Foi Jazz". A grande dama do gênero, Ademilde Fonseca, dá o ar da graça em uma faixa e é senhora absoluta de "O Choro Cantado". Baby do Brasil (ex-Consuelo) bem que tentou, mas jamais atingiu o preciosismo da matriz, que cantava com uma velocidade de tirar o fôlego sem suprimir uma sílaba sequer. "Tico Tico no Fubá", "Urubu Malandro", "Brasileirinho" e "Teco-Teco" estão entre seus registros antológicos. As irmãs Buarque, Miúcha e Cristina, são bem mais contidas. "O Choro dos Virtuoses" "homenageia músicos que souberam dosar técnica e balanço", conforme observa Cazes. Ele próprio, a provar a vocação renovadora do choro, aparece entre os mestres Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, o conjunto Época de Ouro, fundado por Jacob do Bandolim, e Déo Rian, que se aproxima de Bach com o Quinteto Villa-Lobos. Um banho de dinâmica e colorido.

Edição EDIÇÃO 16968




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