No meu modo de entender, mesmo porque já li sobre isso e, concordo, plenamente, a crônica nada mais é que contar casos, fazer descrições, críticas sociais, enfim, interferir no cotidiano, mais cruamente, nos assuntos momentosos para que eles não percam a atualidade. Tampouco o cronista deixe de estar ligado aos assuntos do seu tempo, da sua hora, do seu lugar. E em assim sendo, vamos ao que interessa. Pois é, quando o povo acha que a Câmara Municipal de Cuiabá atingiu o fundo do poço da corrupção, surge novo escândalo. E chega-se a conclusão que atrás de morro tem morro e, não é só isso: não é só macaco que tem rabo preso nos galhos das inverdades e tramóias com o bem público. Estão faltando para alguns dos vereadores decência e ética nas ações como legisladores. E com tudo isso que está acontecendo no dia-a-dia da Câmara de Cuiabá o povo anda comentando por ai que o poço não tem fundo e, que sempre se espera que o pior está por acontecer. Mas, nada melhor que esfriar a cabeça no Lago do Manso onde os vereadores Domingos Sávio e o amigo Ralf conhecem muito bem. Deixa o Deucimar esquentar a cabeça imaginando que o assalto do qual foi vitima é uma armação de colegas. Tampouco fazer ligação do assalto ao caixa eletrônico com jogada política de adversários. É a segunda vez que acontece assalto na Câmara e do primeiro para cá nada foi feito para que a segurança melhorasse. Quanto aos escândalos na Casa são quase mensais. Dizia-me um velho funcionário da Câmara, com dias contados para aposentar, mas a espera de melhoria no seu salário, que a Câmara parece ter como exemplo o Senado Federal, principalmente, aquela história de atos secretos para nomear parentes, criar cargos, aumentar salários e superfaturar serviços, entre outros delitos. Tem, também, essa história de verba indenizatória, de empresas fantasmas. Não só empresas: funcionários, também, fantasmas. E por aí vai.... Isso, também, é crônica, a versão popular do ensaio, criado no século 16 pelo pensador francês Montaigne e adaptado à imprensa britânica por Sir Francis Bacon, na virada para o século 17. No formato como é conhecida hoje, híbrido de jornalismo e literatura, deu seus primeiros passos no Brasil com José Alencar, na série do folhetim "Ao correr da pena", em 1854. *Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, contador de histórias, conversador fiado e colabora com o DC Ilustrado (E-mails:
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