NA HORA
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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 09 de Outubro de 2010, 11h:51

CRÔNICA

Missão comprida

Valéria del Cueto*
Especial para o Diário de Cuiabá
Era um caminho muito longo. Difícil mesmo. Cheio de variantes, possibilidades e desvios. Embarquei cedo no projeto, mas não sei se na idéia em si. Partindo do princípio que era uma qualquer. Que podia vingar ou não. O primeiro desafio era se fazer conhecer. Então, se fazer aceitar. E entre felizes e menos felizes, navegando em águas ora calmas, ora turbulentas, chegamos ao início do trajeto. A vitória tem gosto doce. Mel concentrado, suspiro nevado com calda de chocolate amargo. Depois, missão cumprida e uma vontade louca de voltar para a casa. Na hora de sair, a possibilidade de um novo desafio. Tiro curto. E assim, sem ter chegado, já penso na possibilidade de adiar o regresso, partindo para outras plagas. Cansaço. Mas fazer o que? A pulga coça atrás da orelha, o bicho carpinteiro saracoteia animadinho. Se o cavalo passa arreado, “amonta”. Por que, se não, ao dispensar a carona, pode ser necessário seguir a pé pela estrada a fora, indo sozinha. E não adianta dizer que, pelo menos, deu para aterrissar. Chegar de viagem não é só baixar as malas. Há que esvaziá-las. Repletas de discos e livros, com o acréscimo considerável e pagamento de excesso de bagagem, dos que ganhei do amigo Ramon Carlini, editor da Tanta Tinta. Trouxe de tudo um pouco. Quero ver se Rômulo Netto combina com água de coco geladinha e a brisa permanente do quiosque do Caminho dos Pescadores. Apresentar Silva Freire à roda de poesia domingueira, com vista para o Posto seis e a praia do Diabo. E me deliciar com Teresa Albuês, amiga querida e escritora talentosa, com quem tive prazer de prosear por longas tardes amenas em Nova Iorque. De regresso às malas, há que esvaziá-las. Voltar à rotina da Ponta. Ginástica – desjejum (tardio) - Trabalho - almoço - Trabalho - praia - ginástica - Música. Leva um tempo para engatar o vagão na locomotiva da vida mansa e praia boa. Mas se há a hipótese de outro estirão, para que começar o exercício de não fazer nada? O alerta da preguiça está acionado. E soa por todos os músculos e nervos do meu corpo necessitado de reparos pré verão. Até o aviso, o juízo me manda carpe diem(ar) na Ponta do Leme que guia meu norte e apruma meu rumo. Em direção ao sol e ao horário de verão que está para começar. Aliás, não só o horário, mas a estação em mim. *Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e colabora com o DC Ilustrado. Outros textos da jornalista no http://delcueto.multiply.com

Edição EDIÇÃO 16960




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