ILUSTRADO
Sábado, 23 de Junho de 2007, 13h:35
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LITERATURA
Livro revela imaginário do povo saterê-mawé
Karla Dunder
Agência Estado (SP)
Yaguarê Yamã nasceu na fronteira entre os Estados do Amazonas e Pará, literalmente no meio da floresta, na área indígena Andirá-Maráw. Cresceu sem televisão, videogames ou computadores. Aprendeu a desenhar sozinho, sem lápis ou papel com uma simples espinha de peixe. Viveu até os 12 anos em uma aldeia, em contato com a natureza e alimentado pelas tradições culturais de seu povo. O jovem Yaguarê Yamã, nome que significa o povo das onças pequenas, decidiu preservar e registrar as lendas e os mitos de seus ancestrais no livro "Sehaypóri - O Livro Sagrado do Povo Saterê-Mawé" (Peirópolis, 160 págs., R$ 44). "Sehaypóri" é o livro sagrado dos saterês, nele estão reunidas as fábulas que explicam a origem do mundo e da vida. Mais do que conhecer mais sobre essa cultura, o livro funciona como um convite para um mergulho no imaginário desse povo. "Comecei a pesquisar e a registrar os grafismos em 1997. Já conhecia as histórias, mas precisei me reunir com os mais antigos para ouvir novamente e transcrever tudo direitinho. Depois de pronto eles fizeram toda a revisão. Foram momentos de muita emoção, quando sentávamos juntos e passávamos horas conversando", diz Yaguarê. Especialista em grafismos, Yaguarê contou com a ajuda da tribo para desenvolver os textos. "Escrevia à mão. Depois usei um computador emprestado, ainda não tenho um, e, antes mesmo de entrar em contato com a editora, o texto já estava pronto." Sehaypóri significa "coleção de mitos", histórias e lendas gravadas em um instrumento parecido com um bastão chamado puratig, o remo sagrado e símbolo dos saterê-mawés. Escrito em grafismos, nas cores branca e vermelha, os textos são simbólicos e traduzem o pensamento deles, respostas na busca de conselhos ou mesmo na educação dos filhos. Essas narrativas são transmitidas pela literatura oral, criadas e contadas há centenas de anos.