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ILUSTRADO
Terça-feira, 14 de Junho de 2011, 20h:50

TEATRO

Leituras dramatizadas

Começou ontem e vai até sexta-eira, no Sesc Arsenal, um exercício teatral com atores regionais que explora textos de grande autores

Martha Baptista
Da Reportagem
Numa época de escassez de recursos para as artes, principalmente para o teatro, e em que o movimento teatral está praticamente reduzido ao formato stand-up comedy – espetáculo sem cenário, figurino e com apenas um comediante em cena -, o público deixa de ter acesso a textos de autores menos descartáveis. Essa realidade ocorre nos grandes centros do País, como o Rio de Janeiro e São Paulo, mas é mais sentida em capitais distantes, como Cuiabá, onde torna-se ainda menos frequente a encenação de peças de autores consagrados. Nesse contexto é bastante salutar a chegada à capital mato-grossense do projeto “Dramaturgia: Leituras em cena”, que levará ao palco textos de autores como os brasileiros Plínio Marcos e Roberto Athayde, o norte-americano Eduardo Albee e o argentino Eduardo Pavlovsky. As leituras acontecem no Teatro do Sesc Arsenal, até a próxima sexta-feira, às 20h, com entrada franca. Mesmo que o público não tenha a chance de se deleitar com outros recursos cênicos, como cenários e figurinos, ele poderá ao menos conhecer os textos de dramaturgos expressivos e reconhecidos no mundo inteiro. A proposta do projeto promovido pelo Departamento Nacional do SESC é justamente estimular a prática de leitura de textos teatrais, com a finalidade de difundir textos inéditos ou consagrados da dramaturgia nacional e mundial, instrumentalizar e chamar a atenção de diretores e atores para as potencialidades cênicas – ou novos ângulos – de uma determinada obra. Os textos apresentados nesta etapa são resultantes da Oficina de Dramaturgia com Eduardo Vaccari (RJ), doutorando e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). ALBEE O texto que será lido esta noite é “História do Zoológico” de Edward Albee, considerado o maior dramaturgo vivo dos Estados Unidos, porém pouco conhecido no Brasil. A leitura será feita pela Cia Pessoal de Teatro, tendo Juliana Capilé e Tatiana Horevicht como atrizes-leitoras. Nascido em 1928, Albee foi adotado num orfanato por uma família rica ligada ao teatro, com a qual nunca teve um bom relacionamento. Segundo especialistas no autor, é a essa família que Albee se refere num trecho de “História do Zoológico”, sua primeira peça: “Eu sou um visitante permanente. Minha casa é os alojamentos doentes do Lado Ocidental Superior de New York City que é a maior cidade no mundo. Amém!" Aos treze anos foi para Greenwich Village, que, para ele, era onde estavam todas as pessoas interessantes e foi lá que completou sua educação artística. “A História do Zoológico’ (1958), “O Sonho Americano” (1960), “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” (1962) e “Três Mulheres Altas” (1991) são consideradas pela crítica como os melhores textos do autor, que tem sua obra associada ao Teatro do Absurdo. O tema principal de “História do Zoológico” é a solidão, enfocada a partir do diálogo entre dois desconhecidos que se encontram num banco do Central Park, em Nova York, depois de um passeio no Jardim Zoológico. PLÍNIO MARCOS O Grupo Tibanaré será responsável pela leitura de “A balada de um palhaço” do brasileiro Plínio Marcos, nesta quinta-feira. A peça é a última obra do autor e foi escrita em 1986 em seu leito de morte, retratando sua visão sobre a problemática sobrevivência da arte e da profissão artista num embate entre um universo realista e uma discussão poética da arte. O texto discute os valores essenciais do artista através do conflito entre um palhaço em crise, Bobo Plin, e outro, Menelão, diretor do circo, que só se preocupa com o lado comercial da atividade. Detalhe: Plínio Marcos atuou como palhaço antes de se tornar um dos dramaturgos mais conhecidos – e censurados – do Brasil. “A balada de um palhaço” é considerado pela crítica um dos textos mais poéticos de Marcos, cujas peças mais conhecidas são “Barrela” “Navalha na carne” e “Dois perdidos numa noite suja”, que retratam com crueza e realismo o submundo de cidades como Santos, cidade natal do autor, e São Paulo, onde morreu em 1999. O espetáculo terá direção e iluminação de Jefferson Jarcem e terá como atores-leitores Alexandre Cruz, Valter Lara, Vini Hoffmann, Watila Fernando e Jeniffer Reis. ROBERTO ATHAYDE “No fundo do sítio”, de Roberto Athayde, será o último texto desta etapa do projeto (dia 17). Os atores-leitores serão Hélio Taques e Mazé Oliveira. Roberto José Austregésilo de Athayde escreveu aos 21 anos um dos maiores sucessos do teatro brasileiro, a peça “Apareceu a Margarida”, que marcou época com a atriz Marília Pêra, num espetáculo dirigido por Aderbal Júnior, e foi encenada em mais de 30 países. O impacto desse primeiro trabalho foi tão grande que acabou ofuscando os demais textos para o teatro de Athayde – alguns inéditos até hoje. O autor, que é filho do imortal Austregésilo de Athayde, chegou a revelar em entrevista que seu maior desejo era se libertar do estigma de “Apareceu a Margarida” e conseguir que o restante de suas obras também fossem consumidas pelo grande público. Assistir à leitura de “No fundo do sítio” é uma oportunidade para conhecer outra faceta da dramaturgia de Athayde. O texto consiste num insólito diálogo entre duas pessoas que foram amigas na infância e se reencontram 40 anos depois. O texto encenado na abertura de ““Dramaturgia: Leituras em cena”” foi “Pás-de-deux” do argentino Eduardo Pavlovsky. A leitura foi feita pelos atores-leitores Karina Figueredo e Maurício Ricardo.

Edição EDIÇÃO 16961




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