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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011, 19h:27

REVITALIZAÇÃO

Intervenção na Mandioca

Um espaço tradicional de Cuiabá será repaginado neste sábado artisticamente, por meio de uma ação efêmera

Martha Baptista
Da Reportagem
A Praça Conde Azambuja, que, na realidade é um largo - o Largo da Mandioca -, já foi pelourinho, parada de tropeiros (com carregamentos de mandioca) e passagem de bondes. É lá que o Coletivo à deriva realiza hoje, a partir de 7h30m, mais uma intervenção urbana. Coordenado pela professora doutora Maria Thereza Azevedo, o grupo, que vem se reunindo há vários sábados no Sesc Arsenal e no próprio Largo da Mandioca, quer chamar atenção para o Largo da Mandioca visando à sua revitalização. “O largo é um ponto da cidade que aglutina confluências de várias naturezas, memórias intercaladas e sobrepostas de um espaço que ainda é habitado por muitas famílias antigas”, explica Maria Thereza. A professora, que é também coordenadora do Programa de Pós-graduação em Estudos da Cultura Contemporânea da UFMT, lembra que o Largo da Mandioca é um ponto no Centro Histórico de Cuiabá, que está tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), porém carece de revitalização. “O que vamos fazer é uma ação de ocupação efêmera, mas revitalizadora, como a lavagem da escadaria e a plantação de ervas medicinais no canteiro central da escada”, diz. O Coletivo à deriva, que é formada por profissionais de várias áreas e moradores do Largo da Mandioca, também vai realizar ações no espaço onde será a Casa Silva Freire. Larissa Silva Freire Spinelli, filha do poeta Benedito Sant’Ana da Silva Freire (1928-1991), acompanha o trabalho da professora Maria Thereza Azevedo desde 2009, quando ela deu a primeira oficina sobre intervenções urbanas no Sesc Arsenal. “Entender a arte na perspectiva da relação com as pessoas, com a cidade, ação que muda o status quo do lugar - isso é parecido com o movimento cultural que Silva Freire e seu grupo faziam”, afirma Larissa. Ela lembra que este ano, após a palestra “Intervenções – Terinvenções”, do Wagner Barja, no Sesc Arsenal, Maria Thereza deu prosseguimento ao projeto e Larissa sugeriu ao Coletivo que voltasse suas atenções para as imediações do Largo da Mandioca. “Eu estava com a responsabilidade de limpar e preparar o terreno onde será a Casa de Cultura Silva Freire e o grupo entendeu a importância de chamar a atenção para o lugar e ajudar a revitalizá-lo”, conta. Segundo Larissa, é difícil explicar a relação de seu pai com a Mandioca e o Centro Histórico de Cuiabá: “É como se tivesse que explicar a relação telúrica que ele teve com a sua terra, de onde parte a força poética de sua obra! Agora, ao vivenciar aquele lugar é que sinto que força era essa. Outro dia, o Wlademir Dias Pino falava sobre isso comigo ao telefone. Era das vivências e experiências que viviam que criavam poesias, inventavam literatura!” NOVO OLHAR Desta vez, as ações do Coletivo à deriva acontecerão nos períodos matutino e vespertino (a concentração está marcada para as 7h30m). A lavagem da escadaria com cantoria e coreografia será realizada no período da manhã. À tarde, as atenções se voltarão para o espaço Silva Freire e a praça. Ao longo do dia, haverá atividades como pinturas em estencil, instalações, performances e exibição de vídeos com a participação da comunidade local. O material produzido nas intervenções no Largo da Mandioca será exibido numa exposição no Sesc Arsenal, em novembro. O Coletivo à deriva, cuja marca é a sombrinha, foi criado em 2009 com o projeto “Porto à deriva”, desenvolvido no Sesc Arsenal. É um coletivo flutuante e realizou várias intervenções na região do Porto. Atuou também na UFMT com o projeto “Intervenções Artísticas no Espaço da Universidade”.

Edição EDIÇÃO 16959




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