ILUSTRADO
Terça-feira, 03 de Dezembro de 2013, 19h:58
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CINE SESC
Hoje tem documentário no Curta às Quartas
Curta às Quartas exibe O homem e o limite, documentário sobre o diretor Mário Peixoto e seu filme Limite, obra-prima do cinema mudo brasileiro
O Cine Sesc Arsenal dá sequência a sua programação hoje com o projeto Curta às Quartas que exibe a partir das 19h30 os documentários O homem e o limite, de Mário Peixoto e Quanto mais Manga melhor, do diretor Carlos Manga. A entrada é franca. O homem e o limite é um documentário sobre o diretor, produtor, roteirista e montador Mário Peixoto e seu filme Limite (1931), considerado uma obra-prima do cinema mudo brasileiro. O filme é dedicado à memória de Edgard Brazil, Brutus Pedreira e Plínio Sussekind da Rocha. O início das filmagens de Limite, foi em maio de 1930, quando Mário escreveu o roteiro - após aprendizado com Octavio de Faria - a partir de suas anotações motivadas por certa fotografia da revista francesa Vu, onde aparecia um rosto de mulher envolto por mãos masculinas algemadas. Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, foram convidados para dirigir o filme, mas se recusaram. Mário, então, assumiu a direção e as filmagens se realizaram em Mangaratiba, Rio de Janeiro, entre maio e dezembro de 1930. Em janeiro de 1931 o filme já estava pronto. No mesmo ano ocorre a estréia, dividindo críticos, intelectuais e espectadores comuns. Os dois primeiros, gente como Vinícius de Moraes e Rachel de Queiroz, identificavam na obra elementos da vanguarda francesa, com a qual o cineasta, que passou a adolescência na Europa, teria convivido. O resultado não foi um filme narrativo que se constrói apenas no plano visual. Na tradição de um cinema europeu proposto na década de 20 por Epstein, Dullac, Gance, Eisenstein ou mesmo Vertov, as imagens que o tema gerava só tinham sentido no ritmo dado pela montagem. O público que viu o filme com olhos menos preparados, porém, se aborreceu com duas horas de cinema mudo e poucos interlúdios. Depois dessa repercussão, Peixoto não quis que Limite fosse novamente exibido no Brasil. Levado à Europa, o filme foi aplaudido em Londres e Paris. Esse longa-metragem é uma obra-prima do cinema mudo brasileiro, sendo uma das poucas contribuições do Brasil para o estilo Avant-garde. Durante décadas Limite foi considerado desaparecido. Mário Peixoto doara a única cópia existente ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e lá o filme sofreu danos irreparáveis. Somente em 1972, após ser restaurado por Saulo Pereira de Almeida e Plínio Sussekind Rocha, o filme pôde ser revisto. Limite foi o único filme de Mário Peixoto. Depois dele, o cineasta escreveu outros roteiros, mas nenhum foi realizado. O outro documentário a ser exibido é Quanto Mais Manga Melhor, sobre a direção de atores de Carlos Manga nos filmes da Atlântida Cinematográfica desde a década de 1950 até 50, com depoimentos do próprio Manga e de atores consagrados da época e de hoje.