Basta uma olhada rápida no perfil do "É Tudo Verdade" deste ano para concluir que a aposta da curadoria foi na radicalidade dos participantes. O festival tem versões paulistana e carioca. No filme de abertura em São Paulo, "Cartas ao Presidente", Petr Lom revela de maneira incisiva os mecanismos do populismo no Irã contemporâneo No caso, o presidente Ahmadinejad estimula a população a escrever-lhe cartas, contando seus problemas, como se fosse lê-las pessoalmente. Outro exemplo é "O Equilibrista", de James March, vencedor do Oscar de documentário de 2009. O filme, realizado com imagens captadas em várias épocas, reconstrói a trajetória de Philippe Petit, um mestre da corda bamba, que se notabilizou em seu país por ter andado entre as torres da Catedral de Notre-Dame. Mas esse feito parece café pequeno comparado ao que viria depois: Petit conseguiu estender sua corda entre os dois prédios do World Trade Center e percorreu o caminho do vão livre oito vezes, para pasmo dos nova-iorquinos. Entre os participantes nacionais, o recorte provocativo também se impõe. É o caso de "Corumbiara", de Vincent Carelli, relato pouco convencional do massacre dos índios numa gleba em Rondônia, nos anos 1980. Carelli e sua equipe saíram atrás de índios remanescentes, registrando a busca com sua câmera, inclusive o encontro com alguns raros sobreviventes, que falavam uma linguagem desconhecida.