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ILUSTRADO
Sábado, 22 de Setembro de 2012, 14h:11

CINEMA

Filmes de ótima qualidade no FestBrasília

Os destaques foram os longas-metragens “Otto”, de Cao Guimarães, e “Boa Sorte, Meu Amor”, de Daniel Aragão, que concorrem às principais categorias do festival

A terceira noite de mostras competitivas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou com um filme de amor e terminou com um “antirromance”. Os destaques foram os longas-metragens “Otto” e “Boa Sorte, Meu Amor”, que concorrem às principais categorias do festival. Como responsável pela única produção totalmente mineira nas competições de longas, o diretor Cao Guimarães apresentou uma declaração pública de amor pela mulher e o filho (que tem o nome da obra) com o documentário Otto. Narrada pelo próprio diretor, a trama, que transcorreu em tom confessional e poético e com cenas cotidianas da mulher ainda grávida e do nascimento do filho, é definida por Cao como um filme “instintivo e visceral como um gesto - uma celebração à vida”. O mesmo público que tinha acompanhado, minutos antes, o retorno ao passado com “A Guerra dos Gibis”, documentário curta-metragem que resgatou a produção de quadrinhos eróticos no Brasil durante a ditadura militar, nos anos 1960, lançou-se no universo romântico conduzido pelo mineiro por 70 minutos. “Definir? Toda mulher e mãe gostaria de receber um presente como esse”, comentou a advogada Juliana Gomes, acrescentando, aos risos, para o marido sentado ao lado: “Estou esperando”. Ela disse que Otto conseguiu ser íntimo, “mas universal”. A mescla de gêneros que marcou a terceira noite do festival ainda teve, em sua composição, a animação em “O Gigante”, dos diretores catarinenses Julio Vanzeler e Luís da Matta Almeida, e o curta-metragem de ficção “A Mão Que Afaga”, da paulista Gabriela Amaral Almeida. Em pouco menos de 20 minutos, A Mão que Afaga conta o desafio vivido por uma mãe que planeja o aniversário de nove anos do único filho. Com a ocupação de mais lugares pelo público que foi chegando aos poucos, Boa Sorte, Meu Amor, do diretor pernambucano Daniel Aragão, “quebrou o clima com sofisticação”, como definiu o engenheiro Eduardo Lima que acompanha todas as mostras desde terça-feira (17), estreia das exibições. O longa-metragem de ficção, filmado em preto e branco, mostrou o encontro amoroso de Dirceu e Maria, nascidos no sertão pernambucano, e moradores do Recife, capital do estado, que tem como resultado o resgate da vida particular de cada um dos personagens. “É um pessimismo otimista”, descreve o diretor, ao falar da trama “quase autobiográfica” das relações amorosas sem finais felizes. Dirceu e Maria vivem, nos 95 minutos da produção, uma relação considerada “pouco saudável” por Aragão. “É um breve encontro, mas é renovador, um estímulo. Muitas pessoas terminam um relacionamento e renovam a vida”. Ao assumir a identidade dos personagens considerados “desafiadores”, o pernambucano admite: “gosto de ter uma bronca na minha vida que tenha que resolver e, particularmente, transformar isso em alguma coisa boa”. (Agência Brasil)

Edição EDIÇÃO 16964




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