ILUSTRADO
Sábado, 02 de Agosto de 2003, 14h:28
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HOMENAGEM
Família celebra centenário de Oátomo Canavarros
Com missa de ação de graças e uma grande confraternização a família Canavarros comemorou o centenário de nascimento de seu grande líder
Este final de semana é de comemoração para a família Canavarros, que ontem se reuniu para uma grande confraternização e para reverenciar o seu patriarca maior Oátomo Canavarros, pelo centenário de seu nascimento. Filhos, netos e bisnetos celebraram a data e relembraram fatos pitorescos da vida daquele que consideram um grande exemplo de pai de família, cidadão e homem público. Nascido no dia 2 de agosto de 1903, no distrito de Capim Branco do município de Mutum (hoje Dom Aquino), Oátomo Canavarros começou sua luta bem cedo, quando aos 15 anos, em virtude da morte de seu pai Benedito Canavarros - farmacêutico prático integrante da comitiva do Marechal Rondon - se viu obrigado a abandonar os estudos para ajudar sua mãe Maria Luiza Saliês e os dois irmãos menores. Passou então a trabalhar como estafeta (entregador de cartas e telegramas) em Cuiabá. Tempos depois foi nomeado agente de profilaxia (auxiliar de médico), profissão que exerceu em vários municípios do Estado, entre eles Rosário Oeste onde conheceu sua futura esposa Irene Borges, filha do empresário e líder político da região Arthur de Campos Borges. A partir de então decidiu radicar-se no município. Pediu demissão do cargo de agente de profilaxia e optou pelo trabalho no comércio de seu tio Laurent Saliês, tendo mais tarde criado seu próprio comércio. Mas não parou por aí: tempo depois transformou-se em pequeno produtor de cereais e criador de gado na fazenda de propriedade de seu sogro, e mais tarde, com a transferência de seu tio para o Rio de Janeiro, foi convidado a explorar a Fazenda Quitanda onde instalou uma fábrica de aguardente, sem no entanto se afastar das atividades ligadas a pecuária e agricultura. Ao longo desse tempo a família foi aumentando e os filhos crescendo. Foram 12 filhos ao todo, sendo sete mulheres e cinco homens. Ele então sentiu que era chegada a hora de mudar para a capital, onde seus filhos poderiam estudar e alçar vôos mais altos na profissão que escolhessem, o que era sua preocupação maior como pai. Nasceu daí sua decisão de se candidatar pelo PSD a uma vaga na Assembléia Constituinte do Estado, cargo para o qual foi eleito e empossado aos 44 anos. Na Assembléia recebeu e aceitou o convite de Júlio Muller para deixar O PSD e fundar um novo partido, o PTB, do qual se tornou líder na Casa e como tal lutou contra a transferência da capital do Estado para Campo Grande. Ao término de seu mandato assumiu o cargo de delegado do IAPC Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, - a convite de Jango Goulart, então ministro do Trabalho do governo de Vargas -, função que exerceu até sua aposentadoria. Mas aposentadoria não significava descanso para Oátomo Canavarros, que retomou suas atividades rurais e onde continuou a se destacar. O descanso só veio bem mais tarde quando por sete anos viveu em Chapada dos Guimarães, onde costumava receber os familiares. Antes, porém, residiu por 3 anos em Pelotas, terra natal de sua mãe, e outros 3 anos em Presidente Prudente. Faleceu aos 80 anos, em 13 de outubro de 1983, no Hospital Geral de Cuiabá. Ontem, data do centenário de seu nascimento, a família, formada por seus 12 filhos, 40 netos e 49 bisnetos, prestou homenagem ao seu grande líder.