Ele não procura se sobressair com coreografias ou backing volcals que despertam o desejo masculino e a inveja feminina. A voz é a grande artista da noite
Claudio de Oliveira
Da Redação
Era o terceiro grande show em menos de dez dias. Também era o final do mês, período reconhecidamente duro para o bolso da plateia em geral. Ainda assim a casa estava cheia para ouvir a voz do nordeste, o cantor e compositor Fagner. Fagner tinha a companhia de músicos cearenses como ele e apresentou alguns dos seus muitos sucessos empolgando o público presente. O músico não procura se sobressair com coreografias ou backing volcals maravilhosas que despertam o desejo masculino e a inveja feminina. Sua voz é a grande artista da noite. Com um grande time, entrosado e sorridente, Fagner não teve qualquer dificuldade para contagiar as pessoas com sua simplicidade e carisma. Segundo a nossa representante e porta-voz do nordeste na redação do Diário de Cuiabá, Noelma Oliveira, ele fez o circuito comercial e o antigo, foi cardápio completo (risos). Além do calor insuportável que derretia visivelmente o cantor, outra coisa incomodou-me pessoalmente. Cuiabá precisa urgentemente de uma casa de espetáculo. É certo que o som montado da maneira que foi não ecoa no nosso ouvido como já tive a infelicidade de ouvir no Centro de Eventos do Pantanal, mas o grave estava tão forte que a cada batida do bumbo da bateria minha cabeça parecia que ia estourar. Um som equilibrado com cadeiras e mesas confortáveis, um projeto de iluminação e cenografia mais ousado já tem espaço em Cuiabá. Este foi o terceiro show em menos de dez dias e muitos outros virão este semestre, que dirá este ano. Já passou da hora de alguém investir em um espaço múltiplo que acomode um bom número de espectadores e possa ser usado para show e teatro dando condições para que Cuiabá entre de vez no circuito comercial de espetáculos. A propósito fica uma dica: O telão serve para que as pessoas vejam mais de perto o cantor ou palco. Para isso, o ideal é que ele contemple quem de fato está mais longe do palco, o que adianta ele ficar ao lado do camarote a frente das mesas?