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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 29 de Março de 2008, 13h:41

CRÔNICA

Embalo na Residência dos Governadores

Jê Fernandes*
Especial para o Diário de Cuiabá
“Os embalos na Residência dos Governadores”. Essa é uma história antiga que me foi contada por um velho policial, segurança de confiança de um ex-governador. Aliás, a gente já tinha conversado e acertado sobre a feitura de um livro falando das coisas que aconteciam atrás dos altos muros da “residência”, em idos tempos. Mas, o meu amigo foi antes de concretizarmos a nossa idéia. Morreu! E eu fiquei com alguns relatos armazenados. Por falar em morte, não posso deixar de lamentar os falecimentos, de uma pancada só, de três grandes companheiros que conviveram comigo. O Filó, filósofo e historiador político de Santo Antônio do Leverger. Sabia de tudo sobre política e políticos santantonienses. Dele eu fiquei sabendo muitas histórias, algumas cabeludas, sobre gente importante do município. Filó é meu amigo desde quando vendia chicletes em frente ao Cine Teatro Cuiabá. Na época que ainda passavam nos cinemas filmes de Tarzan, Rock Lanne e Roy Rogers. Como eu lembro do filme “O perigo da Nioca”. Era como eu pronunciava. Eu era apaixonado pela Nioca. Também falo dos companheiros Beto, Mestre de Cerimonial da Câmara Municipal de Cuiabá e Aldauro Neves, o Dorinho. O Beto era tão competente, responsável e meticuloso nos seus afazeres que me dava motivo para sempre estar brincando com ele. Eu dizia que ele fazia economia para a Câmara ao comprar biscoitos em liquidação nos supermercados para servir aos jornalistas que cobrem as sessões. E ele ria. E um dia eu encontrei com ele, justamente, no supermercado e comprando biscoitos de última qualidade e menor preço. Aí ele tentou se desculpar de toda maneira. Pô, caro Beto, estou sentindo a sua falta e dos biscoitos, também... Já o Dorinho, meu cunhado, ensinou-me alguns hábitos de gente fina, mas eu continuei e continuo meio grossão, sem postura no vestir, o que ele fazia com maestria. Mas, é assim mesmo. E a gente sente que vai ficando sozinho quando os amigos vão desaparecendo. Então como eu disse, dificilmente, daria para eu relatar sobre “Os embalos na Residência dos Governadores” na crônica de hoje. E é bom que se diga que a crônica “Arrasta pé na Câmara” deu muito ao que falar, mas só que me reservo o direito de não dizer nomes, mesmo porque, contraria os princípios da privacidade e da ética... “Os embalos na Residência dos Governadores” eram entretidos pelas mais lindas mulheres que freqüentavam os mais famosos cabarés do bairro Baú. Não confundir com o Baú Sereno. Essa é outra história. As mulheres vinham andando, escondendo na escuridão da noite, para não dar o que falar. E tudo acontecia depois da meia noite quando a pequena população de Cuiabá dormia e nada via. E mesmo se visse nada comentava. Mas não dava para ver, o muro que circundava a residência era alto. E tudo era feito na chamada “calada da noite”. Eu ainda continuo a falar sobre esses embalos. Ou melhor, na antiga Residência dos Governadores... * Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, conversador fiado e colabora com DC Ilustrado (E-mail: [email protected])

Edição EDIÇÃO 16964




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