ILUSTRADO
Sábado, 04 de Julho de 2009, 13h:53
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FLIP
Em Paraty, tudo ao mesmo tempo e agora
Impressões gerais sobre a festa literária que invadiu, pela sétima vez, uma pacata cidade histórica do litoral carioca. Aproximadamente 20 mil transeuntes
Lorenzo Falcão
Enviado Especial
Com uma oferta cultural tão generosa a tendência natural é que o jornalista interessado fique meio estilo barata tontanum evento como a Festa Literária Internacional de Paraty. A cidade em si já é um atrativo cultural muito grandioso, rumo ao seu quarto centenário, que acontece dentro de pouco mais de três décadas. As ruas do seu centro histórico com um calçamento que imita um pé de moleque, com pedras disformes, assentadas em diferentes níveis, já impressionam. Nem é preciso ficar reparando tanto em quem caminha sobre elas. Nestes cinco dias de FLIP, com a presença de qualificadas personalidades literárias nacionais e internacionais, não seria exagero dizer que Paraty, pela pequena dimensão física de seu espaço, torna-se a cidade mais letrada do mundo, pelo menos em nível de diversidade literária. São quase quarenta autores de diferentes países. A maioria do próprio Brasil, mas entre os estrangeiros, alguns expressivos valores da literatura mundial contemporânea. É o caso dos chineses Ma Jian e de Xinran, homem e mulher, respectivamente, não se engane pelos nomes e suas sonoridades em português, cujas obras retratam uma China de forma crítica, pouco condizente com a imagem de liderança global que o país aspira. As irlandesas, conterrâneas do grande James Joyce, Anne Enright e Edna OBrien, reconhecidas no Velho Continente, também deram o ar da graça por aqui. Atiq Rahimi, premiado autor afegão, é outro nome que andou dando sopa em Paraty. Mas, como já foi dito no início deste registro, uma pessoa sozinha, um único jornalista é totalmente insuficiente para vasculhar tanta literatura e tanto autor (os brasileiros ainda nem foram citados). Foi uma situação do tipo tudo ao mesmo tempo agora. A reportagem não conseguiu rastrear esses autores citados, porém, conseguimos acompanhar atentamente algumas coletivas. Em edição anterior entrevistas coletivas com o biólogo ateu Richard Dawkins e com a lenda viva do jornalismo literário, Gay Talese, foram mencionadas. Como a organização do evento não providenciou a tal da tradução simultânea para as coletivas, cheguei a maldizer a incompletude de alguns cursos de inglês que deixei pelo caminho da minha formação. Nunca senti tanta falta dos conhecimentos da língua inglesa. Como não conseguia entender bulhufas do que Talese falava, fiquei apreciando seu terno impecável e seu chapéu panamá, depositado sobre a mesa logo depois da sua entrada. Mas tive a oportunidade de acompanhar outras coletivas, onde houve a tradução simultânea ou quase isso, além da brilhante conversa com o genial português António Lobo Antunes, que é considerado um dos maiores prosadores lusitanos depois de Eça de Queirós. Os autores convidados, além das coletivas participavam de mesas com temas distintos. Todas as mesas concorridíssimas e ingressos esgotados. As entrevistas coletivas foram a salvação da lavoura. Depois de patinar nas coletivas com Talese e Dawkins, consegui me recuperar um pouco na conversa com o mexicano Mario Bellatin, mesmo acompanhando apenas os 15 minutos finais da conversa. Meu espanhol é bem menos sofrível do que o inglês que ouso dizer que sei. Bellatin é considerado um dos principais e mais surpreendentes escritores latino-americanos contemporâneos. Recebeu a bolsa da Fundação Guggenheim em 2002 e chamou a atenção da crítica com a publicação de Flores (2001), romance experimental sobre modificações genéticas que flerta com a literatura fantástica e a ficção científica. A organização do evento não ofereceu entrevistas coletivas com os autores brasileiros. Informações sobre as coletivas com os autores de outras nacionalidades estão em outra reportagem neste caderno. (LEIA MAIS SOBRE A FLIP NA PÁGINA 5)