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ILUSTRADO
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010, 22h:28

E-Literatura

E-books uma promessa para 2010

Com a redução dos impostos determinada pela Justiça o leitor eletrônico deve contar com a imunidade tributária que recai sobre a importação de livros e revistas

Por Ubiratan Brasil
Agência Estado
No início de 2009, editores brasileiros estimavam que o livro eletrônico, conhecido por e-book, levaria no máximo cinco anos para ocupar um espaço de respeito no mercado editorial do País. No final da temporada, porém, as discussões variavam entre nova regulamentação do direito autoral por conta da venda de conteúdo digital e medidas para combater a pirataria eletrônica. Ou seja, em um ano, o futuro tornou-se mais próximo - o e-book ainda não é um produto fartamente comercializado no Brasil, mas a ferramenta já divulga autores nacionais, como o mais recente policial de Rubem Fonseca, "O Seminarista" (Ediouro), lançado em novembro tanto na versão tradicional, em papel, como em formato digital para e-book, iPhone e iPod. Também editoras, como a Zahar, começaram a disponibilizar parte de seu acervo aproveitando o surgimento da primeira eBookStore brasileira, a Gato Sabido. Foi uma temporada de novidades tecnológicas, com o aparecimento de dispositivos de leitura eletrônica, os conhecidos e-readers, da Samsung, Fujitsu, Sony e Amazon, que lançou o já famoso Kindle, pequeno aparelho que, ligado a uma rede Wi-Fi ou a uma conexão USB, tem a capacidade de armazenar uma pequena biblioteca. Com isso, logo se percebeu uma verdadeira urgência no mercado editorial em inovar com novas formas de conteúdo. Alguns autores pediam novidades - em 2009, ecoaram as palavras ditas por Paulo Coelho na Feira de Frankfurt do ano anterior: "Os livros digitais reclamam seu espaço e logo chegará o momento em que o digital superará o papel". De fato, na feira deste ano, mais da metade dos profissionais envolvidos confirmou 2018 como o ano da virada, ou seja, quando a obra digital superará a de papel em vendas. O próprio Coelho acertou, no final do ano, um contrato com a Gato Sabido a fim de disponibilizar sua obra no mercado virtual. Lançado em dezembro, o portal fechou parceria com a COOL-ER, maior empresa de e-book da Inglaterra, o que lhe permitirá oferecer cerca de 1,48 milhão de títulos aos internautas brasileiros - 1 milhão do Google Books, 400 mil da COOL-ER e cerca de 80 mil títulos nacionais, a serem negociados ao longo de 2010. A Zahar foi a primeira editora a acertar parceria, disponibilizando cerca de 300 títulos em um lote inicial. Também a editora jurídica Lumen Juris entrou no negócio, oferecendo 100 livros de seu acervo. O momento é de pressa, especialmente no Brasil, onde o alto preço despontou como um refreador (importar um e-reader custa cerca de US$ 520, graças aos impostos). Mas, no início da semana, a Justiça determinou que qualquer leitor eletrônico também conte com a imunidade tributária que recai sobre a importação de livros e revistas - o aparelho vem sendo taxado como eletrônico, cujo imposto chega a 60%, ou seja, exatos US$ 266,32 de taxa. Com isso, é possível esperar que 2010 termine com um boom de vendas no mercado brasileiro. O que pode reforçar a tese é o surgimento de um e-reader nacional, o Mix Leitor D, desenvolvido no Recife e com previsão de lançamento para junho. E, antes mesmo de ficar pronto, a empresa criadora do produto, a Mix Tecnologia, já conta com 150 mil unidades encomendadas, que é, na verdade, sua capacidade máxima de produção. O mercado, portanto, prepara-se para uma atualidade digital. E os escritores? Muitos continuam reticentes à nova tecnologia, cientes da perene atração do livro tradicional - as imagens na sobrecapa, as fontes convidativas, o cheiro do papel. Mas outros já pensam nos lucros oferecidos pelas novas ferramentas, como o americano Stephen R. Covey, que transferiu os direitos "digitais" de dois de seus títulos de uma editora tradicional, a Simon & Schuster, para uma nova, digital, a RosettaBooks. Ao noticiar o fato, o jornal "The New York Times" informou que isso deve "aumentar a grande preocupação já existente entre os editores sobre a economia do mundo do livro digital e pode oferecer aos autores um meio de ter maiores lucros com seus trabalhos do que eles obtêm com o sistema tradicional". Também a pirataria de e-books já preocupa as grandes redes, que busca, entre outras defesas, o estabelecimento de um "selo de autenticidade". Assim, se 2009 termina diferente de como começou, 2010 promete mais surpresas.

Edição EDIÇÃO 16962




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