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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Maio de 2008, 14h:14

Droga (Parte I)

NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP
Sob o título "23% dos dependentes de drogas têm até 15 anos" um jornal de grande circulação1 de 27 de fevereiro p.p. apresenta pesquisa do Denarc (Departamento de Investigação de Narcóticos) que traça o perfil de traficantes e usuários e revela crescimento entre os jovens. A pesquisa entrevistou 3112 pessoas que tiveram atendimento pela Divisão de Prevenção e Educação e 3242 pessoas presas vendendo ou usando drogas nos últimos dois anos. O perfil encontrado foi: 40% usam concomitantemente a maconha e a cocaína, 8% além da droga usa também o álcool, a maioria das pessoas estudadas (89%) é do sexo masculino e as mulheres perfazem 11%. Conforme o título do artigo em questão 23% das pessoas têm até 15 anos. Os homens desempregados representam 72% de todos os estudados e as mulheres na mesma condição 57%. Entre os homens a droga mais usada é a cocaína e entre as mulheres é a maconha. O vendedor de droga em sua maioria (71,42%) tem ensino fundamental, 26% têm nível secundário e superior e apenas 2,47% são analfabetos; assim o que falta não é escolaridade, mas educação moral. Com os traficantes presos foram aprendidos 4 toneladas de maconha, 46,9 quilos de crack, 173 quilos de haxixe, 521 comprimidos de ecstasy, 17 quilos de xará (supermaconha preparada em laboratório), 3 quilos de skunk (maconha híbrida produzida em laboratório da Holanda). O número de mulheres e crianças no tráfico e uso de drogas aumentou consideravelmente nos últimos anos. No ano passado a polícia retirou das proximidades das escolas 365 traficantes que vendiam drogas para estudantes maiores e menores de idade. Analisando este quadro fica claro a condição de nosso mundo de expiações e provas que se caracteriza pelo "domínio do mal"2 onde até crianças são alvo de criaturas que ainda se comprazem no mal, destruindo uma vida que se inicia, portanto não tem como pensarmos que não é problema nosso e é necessário que identifiquemos os agentes determinantes desse processo para podermos intervir com propriedade em nossa esfera de ação. Três causas são chamadas a explicar o fenômeno: a omissão familiar, curiosidade e auto afirmação3. A omissão familiar tem sido uma preocupação constante de educadores, polícia e do sistema judiciário. A sociedade pode e deve estar solidária nesta questão, mas a atuação da família é imprescindível e insubstituível. Sabemos hoje que o exemplo dado por pais e adultos da família no consumo de álcool e fumo tem efeito devastador sobre o repertório de comportamento de crianças e adolescentes. Outro aspecto relativo à omissão é o conflito entre os pais que não propiciam o sentido de família dentro de casa e o jovem busca essa família entre os "colegas de rua". Na luta pela sobrevivência os filhos são esquecidos e acaba constatando que tem "dois tipos de pais", um de segunda a sexta feira que cansado não quer nem conversa e o outro de fins de semana que quer saber tudo sobre o filho(a); neste contexto se estabelece o conflito entre pais e filhos. Fazemos aqui um parêntese para lembrar que muitas vezes "a luta pela sobrevivência" na realidade é esforço para dar aos filhos o supérfluo e mesmo dar ao filho tudo que não tiveram e assim expressar o seu amor Esquecem-se que amor é dar daquilo que somos e não aquilo que temos. Continua na próxima edição Bibliografia: 1- LOMBARDI, Renato. 23% dos dependentes de droga têm até 15 anos. O Estado de São Paulo, caderno Cidades, sexta feira, 27 e fevereiro de 2004, c5. 2- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III - Há Muitas Moradas Na Casa De Meu Pai. FEB, 57.ª ed. s/d. 3- KÜLL, Eurípedes. Tóxicos : as duas viagens, Editora Cristã Fonte Viva, 4.ª ed. 1998. 4- INCONTRI, Dora. A educação segundo o Espiritismo, cap. XII - O educando na adolescência, 5.ª ed. Comenius, 2003 Fonte: Verdade e Luz, edição 219 – Abril de 2004

Edição EDIÇÃO 16959




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