ILUSTRADO
Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2012, 20h:08
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CINEMA
Drama e comédia na tela
A aventura épica do diretor Steven Spielberg é um conto de lealdade, esperança e tenacidade. Agamenon promete tirar sorriso fácil do público
Em período de férias letivas e escolares, o cinema é uma boa opção. A novidade para esta semana nas telas dos cinemas fica com Steven Spielberg, que traz sua mais nova produção Cavalo de Guerra. O lançamento nacional fica por conta de As aventuras de Agamenon O Repórter, de Victor Lopes. Após 40 anos de carreira, pode-se dizer que o diretor norte-americano Spielberg conta com mais acertos do que erros em seu currículo. Afinal, domina como ninguém a gramática do cinema hollywoodiano e sabe como atingir o espectador. Apesar de ser um profissional que já tem todos os prêmios, toda a fama e tudo que alguém do ramo pode sonhar, Spielberg é movido por paixão. Ele só entra em cena quando encontra um projeto que a história preencha os requisitos daquilo que move sua sensibilidade. Em Cavalo de guerra Spielberg se supera ao resgatar de um cinemão à moda antiga. Nesse trabalho ele procura realizar aquele tipo de narrativa épica e arrebatadora que sintoniza com todo tipo de público, de qualquer idade, de qualquer nação e que seja capaz de transcender qualquer barreira temporal. Spielberg assistiu à bem-sucedida montagem teatral londrina de "Cavalo de Guerra", baseada no livro homônimo de literatura infantil do inglês Michael Morpurgo, um best-seller de 1982, e chorou um bocado. O diretor viu ali a chance de fazer o mesmo com plateias inteiras. E realmente tem muitas chances de levar o espectador as lágrimas. os roteiristas Lee Hall ("Billy Elliott") e Richard Curtis ("Quatro casamentos e um funeral") recriam para a tela uma história que tem material de sobra para trazer emoções à flor de pele. O clima de nostalgia de uma história ambientada no começo do século 20, às vésperas da 1ª Guerra Mundial, serve para sinalizar que aqui se falará da irrompível ligação entre um jovem, Albert (o novato inglês Jeremy Irvine), e seu cavalo, Joey. Valores eternos, que alguns podem até ter esquecido, mas cujo filme se encarregará de reavivar. No interior da Inglaterra, em 1914, a família do jovem Albert, ancorada por sua mãe (Emily Watson, majestosa), batalha para conseguir sobreviver plantando em terras arrendadas. O patriarca, Ted Narracott (Peter Mullan), soldado veterano e alcoólatra, num arroubo da bebida arremata um potro puro-sangue num leilão, quando precisava na verdade de um animal robusto para puxar o arado. E aí começa a magia de "Cavalo de Guerra": Joey, o cavalo, é especial. Espere, portanto, muitas demonstrações de coragem, carinho, força e inteligência. Há um tom de conto de fadas uma vez que a história escrita originalmente é voltada para crianças. Isso explica a voz suave e o ar angelical de Albert, que corre alegre pelas verdejantes colinas inglesas ao som de uma retumbante trilha orquestral impossível não lembrar de "A Noviça Rebelde". A candura fica de lado para abrir espaço para os horrores da guerra. Sem dinheiro para pagar o aluguel ao dono das terras (o excelente David Thewlis), o velho Narracott se vê obrigado a vender Joey ao exército britânico, para desespero de Albert. As imagens são fortes, porém nunca brutais, claro. O avanço de tropas pelas trincheiras, corpos voando pelos ares ou caindo alvejados, tudo isso sem mostrar sangue, afinal de contas, trata-se de uma produção da Disney. É uma forma de abordar a guerra e mostrá-la sem ser propriamente um filme de guerra. Aqui, o importante é falar de amor, coragem, tragédia, moral, obstáculos e redenção. Com closes frequentes em seus olhos expressivos, o cavalo serve como ponto de apoio para tudo isso. Joey passa por lugares e exércitos diferentes, sempre comovendo quem convive com ele, exceto, obviamente, os personagens que fazem as vezes de vilão. Spielberg fez em "Cavalo de Guerra" sua homenagem ao cinema dourado de Hollywood. O filme está chegando aos cinemas brasileiros já com duas indicações ao Globo de Ouro por melhor filme (drama) e melhor trilha sonora. A comédia, indicada para maiores de 14 anos, As aventuras de Agamenon O Repórter, de Victor Lopes, conta com um elenco que promete tirar o fôlego da platéia de tanto rir: Marcelo Adnet, Luana Piovani, Hubert e Marcelo Madureira. Apesar de contar com dois membros da trupe do programa Casseta & Planeta, o filme não é uma produção derivada do programa humorístico. Hubert e Marcelo Madureira, os dois "pais" do filme, gostam de ressaltar que se trata de uma produção novinha em folha. Mas quem puxar pela memória pode se lembrar do personagem principal: ele assina uma coluna no jornal O Globo por mais de 20 anos. Agora ele sai das linhas do jornal direto para as telas do cinema. Na verdade, o texto da coluna era escrito pelos roteiristas Madureira e Hubert, que aqui assume o papel do personagem na maturidade. Na juventude, Agamenon é interpretado pelo comediante Marcelo Adnet ("Muita calma nessa hora"). As diversas aventuras do protagonista, um repórter à moda antiga do jornal carioca, são praticamente esquetes de humor independentes que não dão muita unidade dramática ao filme. Se a intenção de quem for ao cinema é encontrar risadas fáceis, vindas de um humor rasteiro, que não requer muito esforço, vai encontrar aos montes. Talvez até demais chegando ao ponto de saciedade, tirando bastante a graça da história. As caras e bocas de Adnet, a voz estridente de Luana Piovani, que faz a mulher de Agamenon, e as piadas que transitam entre o ingênuo e o grotesco parece uma dose cavalar de um humor. O filme é curto - pouco mais de 70 minutos . O diretor Victor Lopes talvez tivesse em mente algo na linha de um "Forrest Gump" brazuca quando planejou o filme. O filme começa com a estrutura de um pseudodocumentário, com depoimentos de celebridades que comentam seu relacionamento com Agamenon , como Susana Vieira, Paulo Coelho e Fernando Henrique Cardoso. Já o apresentador Pedro Bial capitaliza mais uma vez em cima da figura de apresentador do BBB, até chegar ao clímax do filme, que não faz o menor sentido.