NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 25 de Junho de 2012, 21h:48

ACADEMIA

Dom Aquino

Perdoem-me a digressão - mas ela era necessária, não som como demonstração do que a eloquência foi e fez, dentro da História, como ainda, no caso particular do Brasil, para dar mais relevo à personalidade do nosso Arcebispo, ao termos que colocá-lo, no mesmo grande mural em que reluzem os grandes tipos que marcaram época na história da cultura brasileira. Porque, D. Aquino, realmente, teve a sua época, como outras excelsas figuras do pensamento nacional tiveram. Há de fato um período dos registros memoráveis da Nação onde o seu nome deverá inevitavelmente figurar. Mas outros títulos ainda indicam a preeminência de sua figura no cenário brasileiro, especialmente levando-se em consideração a época em que pontificou. Para compreender o que queremos projetar, consideremos os seguintes fatos, no tocante à oratória sacra: No Brasil, essa oratória remonta ao século XVI, estreitamente vinculada às primeiras manifestações socioculturais do Brasil/Colônia, (...) quando dela os jesuítas faziam uso, tendo em vista a catequese do indígena e educação dos colonos e estudantes da Companhia de Jesus. Em virtude do seu propósito pragmático e do pouco talento oratório dos sacerdotes, reduzida importância apresenta o seminário jesuítico quinhentista. No século seguinte (XVII), surge a individualidade formidável de Vieira, que todos conhecem como um dos maiores oradores sacros de todos os tempos. No século XVIII, entrando para o XIX, a figura mais impressionante foi a de Frei Francisco de Monte Alverne, que discutiu com erudição e grande beleza estética, todas as questões em voga na sua época. Mas, de aí em diante, os grandes oradores do púlpito não chegam a altitudes excepcionais, nem mesmo o famoso Frei Caneca, que ganhou mais notoriedade por sua participação na Revolução Pernambucana de 1817 e na rebelião de 1824, em razão da qual foi fuzilado em 1825. Nesse ponto o que aconteceu foi o seguinte: os sermões, até os inícios do século passado, tinham a tarefa de conduzir a opinião pública, transformando o púlpito em tribuna política; as pregações desempenhavam ainda além da matéria de fé, funções que hoje cabem aos jornais, ao rádio, à televisão. Todavia, aí pela metade do século XIX, a oratória sacra é superada pela oratória parlamentar, conduzida esta pelos Andradas, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Torres Homem, e desembocando nas campanhas abolicionistas e republicana, com José do Patrocínio, Silveira Martins e os já referidos Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiúva e Ruy Barbosa - tendo este último chegado ao 1º quarto do nosso século e à confluência que marcou o encontro com outros grandes oradores, como Olavo Bilac e Coelho Neto, até os mais recentes, a que, também, atrás nos referimos. Pois bem, desde que a oratória político-parlamentar ganhou a primazia - a oratória dos templos se reduziu aos sermões comuns, aqui e ali projetando algum sacerdote mais notável, mas sem granjear as grandes repercussões do passado. Parece ser correto assinalar que, neste século, os grandes oradores sacros foram casos esporádicos - e não sei se estarei sendo injusto assinalar somente três figuras exponenciais, uma delas realmente singular, pelas qualidades de polemista erudito e, às vezes, implacável: quero referir-me a Júlio César de Moraes Carneiro, conhecido como Pe. Júlio Maria, que começou como temível combatente contra o Positivismo, na Primeira República, e continuou, até quase sua morte, em 1916, como admirado orador sacro, tendo sido ouvido nos principais centros culturais do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. O segundo expoente significativo foi o Pe. Leonel Franca, falecido em 1948, também polemista e sábio defensor do pensamento católico, em todos os seus planos, fundador e Reitor da Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1940. Por último, estamos diante de Dom Aquino. Acadêmico João Antônio Neto - Cadeira 25

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL