ILUSTRADO
Sábado, 07 de Abril de 2012, 13h:04
A
A
ANIVERSÁRIO
Cuiabá e seus 293 anos
Neste domingo Cuiabá está em festa. O DC Ilustrado indagou a militantes da cultura qual o presente ideal pra cidade
Terra de cores, aromas, sabores. Terra de gente simples que tem fé e tradição. Terra do Cururu, dos ribeirinhos, do rio Cuiabá. Cuiabá é assim, tradição e progresso dividindo o mesmo lugar, nem sempre de mãos dadas, mas caminhando juntos. Terra de solo fértil, dos quintais cheios de mangueiras. Cuiabá de poemas, versos e canções. De belezas tão bem narradas pelas lentes dos fotógrafos, tão bem ditas nas letras e ritmos dos rasqueados. Em homenagem aos 293º aniversário da Capital, o DC Ilustrado perguntou o seguinte para algumas pessoas ligadas ao setor cultural: o que você pediria de presente para Cuiabá? Confira a resposta dos nossos entrevistados. Com amor no coração e na voz, a poeta Luciene Carvalho declara que pediria quintais cuiabanos lindos, preservados com história, cultura, memória, pés de frutas, bichos humanizando pessoas e pessoas convivendo entre si. Quintais e seus biomas afetivos. Quintais que unissem passado e presente e garantissem o futuro nosso, bem cuiabano. Eu sobrevivi enquanto poeta porque Deus me colocou em quintal cuiabano. Eu não compreendo Cuiabá sem seus quintais. O escritor e ator Ivan Belém deseja que Cuiabá continue sendo essa cidade acolhedora, generosa. Que esse progresso não tire dela a humanidade, porque Cuiabá é uma cidade que tem a fama de ser hospitaleira e isso não é por acaso. Esses tempos em que a gente vive de muita violência faz bem essa humanidade, que está faltando. E arremata: Peço aos nossos governantes que respeitem e que amem esta cidade. Que pensem nela como uma cidade onde nós possamos nos sentir felizes em estar aqui vivendo. Pensem na cidade não para os turistas, mas para quem vive aqui para que a gente possa nos sentir felizes e, sobretudo, orgulhosos por viver nessa cidade. O ator, comediante e gestor cultural, Justino Astrevo responde pontualmente: um teatro municipal de 1000 lugares. Porque Cuiabá talvez seja a única capital do Brasil que não tenha um teatro municipal. Porque este serve para dar fluência a todas as atividades culturais existentes como a música, a dança, a literatura e todas as demais áreas. A gente que lida nessa área, fica sempre na dependência de espaços como o teatro da UFMT (Federal), o Cine Teatro Cuiabá (Estadual), que são sempre muitos disputados. A pesquisadora de arte Juliana Curvo pediria uma ciclovia. Além disso, solicitaria também cinema fora dos shoppings, mais praças limpas, mais bibliotecas e ruas sem buraco. Com alguma semelhança na resposta o professor de história e militante do cenário musical de Cuiabá, Bruno Rodrigues afirma que Cuiabá precisa de tantos presentes, como coleta de lixo decente, ruas menos esburacadas, menos impostos, escolas que realmente funcionem e ofereçam ensino de qualidade, com boa estrutura e professores valorizados, menos corruptos e sanguessugas ocupando cargos eletivos, que fica até difícil de escolher. O jornalista, professor universitário e artista plástico, Aluízio Azevedo respondeu que pediria que Cuiabá conseguisse expurgar do seu cenário todos os políticos corruptos, que escondem, enganam, matam e crescem às custas da coletividade. Nesse mesmo gancho, Bruno Rodigues estendeu sua resposta. Já seria um bom começo se Cuiabá e, na sequência, todo o Brasil, seguisse o exemplo de todos os países que integram a Organização das Nações Unidas (ONU) e deixasse de pagar salário aos seus vereadores, que inclusive recentemente aprovaram um aumento de 61 % nos seus próprios salários. Estamos na contramão da história: enquanto noutros países o vereador exerce um trabalho voluntário, que beneficia a própria coletividade que ele faz parte, no Brasil, leva uma vida de príncipe encantado, repleta de todas as mordomias possíveis. Com uma resposta bem simples (e não menos importante), a jornalista Martha Baptista conseguiu mesmo sem saber fazer uma síntese de todas as respostas acima. Eu pediria mais respeito com os cidadãos, mais civilidade, mais gentileza, educação no trânsito e segurança. Militante na área musical e em todas as esferas da cultura, Vera Capilé, pediria mais verde e mais solidariedade humana. Pediria que os moradores, os visitantes e o público em geral gostassem muito dela (cidade) e a conservassem. Pediria também que os córregos, que hoje são esgotos, tivessem pelo menos um pouco mais de limpeza, porque esta cidade sempre foi veiada por esses córregos, finaliza.