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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 05 de Abril de 2010, 20h:41

Cuiabá dos meus amores

Já festejamos o Natal, com muita comida e pouca reza. Em seguida, o Carnaval, com muita farra e pouca roupa. Posteriomente, a Quaresma - os 40 dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa -, dedicada à refexão para uma vida de mudança, com a intenção de melhorar os nossos atos - se é que pensamos nisso... Agora é a vez de CUIABÁ que, no próximo dia oito, fará 291 anos! Para quem nasceu, criou-se e vive aqui - como é o meu caso -, a data é especial. Como produto do Governo do Primário ao Curso Superior, vale a pena recordar os bons tempos de uma cidade tranquila e acolhedora. A Escola “Modelo” Barão de Melgaço, funcionava no prédio onde se instala o Ganha Tempo, atualmente; nosso recreio era ao lado, no Jardim Ipiranga, supervisionadas pelas cuidadosas professoras. O citado estabelecimento de ensino era dirigido pela saudosa Prof. Alina Nascimento Tocantins, madrasta do Prof. Aecim. A disciplina traduzia o dístico da bandeira nacional: “Ordem e Progresso”, pois, sem a disciplina, não haverá aproveitamento escolar. Nosso uniforme igualava toda a criançada: saia-azul marinho e blusa branca, sapato preto e meias brancas. Levávamos merenda de casa, tais como: pão com bife; pão com ovo frito na manteiga; laranja; bananinha; banana-da-terra frita, com açúcar e canela e outros produtos mato-grossenses. No Ginásio, inauguramos o belíssimo Colégio Estadual de Mato Grosso, hoje, Liceu Cuiabano Dana Maria de Arruda Muller, nome merecido, porque a construção é obra do Governo Júlio Strübing Muller e, principalmente, porque ela havia sido professora. Nossa diretor era o enérgico e competente Jercy Jacob. Em seguida, a Escola Técnica de Comércio - no prédio do Palácio da Instrução -, primeiro curso noturno da cidade!, dirigido pelo Prof. Aecim Tocantins. Como a energia não era confiável, o citado Diretor providenciou lampião à gás, para que as aulas não fossem interrompidas. Acabou as nossas fugidas para o Jardim Alencastro... Posteriormente, a Universidade Federal de Mato Grosso, o patrimônio público que muito influiu na mudança de vida da cidade, recebendo professores e alunos de outros Estados da federação e seus respectivos familiares. Seu primeiro reitor, o médico Gabriel Novis Neves. Além da escola de qualidade que o Governo do Estado oferecia, nossos estudantes - 99% homens - saíam de Cuiabá para disputar vagas de curso superior em grandes metrópoles, tais como: São Paulo e Rio de Janeiro. Com a instalação da UFMT, novas oportunidades surgiram e muitos puderam retornar à escola, para fazer o terceiro grau, principalmente, as mulheres. Andávamos a pé, com tranquilidade; frequentávamos bailes em casa de família ou em clubes. O Zé Brasil fazia baile de sociedade, isto é, os homens pagavam ingresso; as mulheres eram isentas do pagamento. As famílias se visitavam; ora estávamos recebendo nossos familiares do Bosque, pelo lado materno; ora nos deslocávamos para o Grande Terceiro, pelo lado paterno. Além das visitas e dos bailes, o Jardim Alencastro era o ponto de encontro aos domingos e quintas-feiras. Havia banda de música da Polícia Militar ou do 16º Batalhão de Caçadores, hoje, 44º Batalhão de Infantaria Motorizado. Era o Jardim de todas as idades: as crianças brincavam, os jovens namoravam, os casais se espaireciam, os idosos conversavam... O quintal era o lugar de reinação da criançada; as meninas brincavam de bonecas, aprendendo a lidar com seus futuros filhos; brincavam, também, de quitute, preparando almoço de verdade, quando, inconscientemente, traçavam seu destino para a cozinha. Nosso cardápio: ovo frito, farofa de couve, banana-da-terra frita, arroz com fumaça, etc. Tudo isso tinha gosto saboroso, hoje, o paladar da saudade... Tínhamos curiosidade de saber o que acontecia após a morte. Um passarinho bateu o peito na vidraça, vindo a falecer. Fizemos o enterro da ave, com o ritual da época; o morto numa caixinha, em cima de uma mini-mesa, recebendo água benta da meninada que, com um galhinho benzia seu corpo inerte. Houve o acompanhamento até a cova e, finalmente, o sepultamento. Passados oito ou dez dias, fomos desenterrá-lo, esperando que o passarinho estivesse no céu; aconteceu a maior decepção... porque, a ave, no mesmo lugar, era só podridão... Como entender a vida na Eternidade?... Ainda bem que tivemos vida de criança, totalmente despreocupadas, sob a proteção dos nossos pais. Estamos prontos para as responsabilidades do adulto, preparados em escolaridade e na verdade que, pouco-a-pouco fomos enfrentando. Nossa vivência em Cuiabá teve as fases separadas: de criança, de jovem, de adulto produtivo e da velhice consciente. À CUIABÁ DOS MEUS AMORES, minha retribuição de trabalho, patriotismo, confiança no seu futuro, como estrela maior deste “Mato Grosso - lendário torrão, celeiro do Brasil por Deus guardado”, como antevia o saudoso poeta, Manoel Ramos Lino. Salve Cuiabá, nos seus 291 anos! Acad. Nilza Queiroz Freire Cadeira 14

Edição EDIÇÃO 16959




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