Walter Vale (o veterano Richard Jenkis, em seu primeiro papel como protagonista que recebeu uma merecida indicação para o Oscar por sua atuação intimista e comovente) é um professor viúvo que leciona economia na Universidade de Connecticut. Desmotivado no trabalho, ele é obrigado a ir para uma convenção em Nova York e, ao chegar em seu antigo apartamento, depara-se com um casal de jovens imigrantes um músico sírio e sua namorada senegalesa vivendo no local. Tarek Khalil (Haaz Sleiman) e Zainab (Danai Jekesai Gurira) descobrem que foram vítimas de um golpe (alugaram o lugar de um trambiqueiro) e se dispõem a sair. Mas, Vale, com pena deles, os convida a ficar e uma estranha, inesperada e profunda conexão surge entre os três. A presença de estranhos causa um efeito inesperado no cotidiano do cabisbaixo proprietário. Frustrado e solitário, Vale ganha a simpatia de Khalil que toca percussão em uma banda de jazz. Quando Khalil é preso pelas autoridades e ameaçado de deportação, Vale se une à mãe do rapaz, Mouna (Hiam Abbass), e ambos travam uma difícil batalha judicial pela permanência dele nos Estados Unidos. Essa atitude faz com que Vale perceba quanta mágoa e raiva tem guardada por causa do ataque terrorista de 11 de setembro, o que o faz mudar sua vida radicalmente. Grata surpresa, O Visitante (The Visitor, EUA, 2008/Paramount) segunda realização do diretor-roteirista Thomas McCarthy (do, também, formidável O Agente da Estação) fala sobre imigração ilegal e amizade sem apelar para o pieguismo. É um trabalho notável, mas é Jenkis que se revela a alma do filme - conduzindo a história com maestria.(J.C.) Um professor frustrado e solitário volta ao seu apartamento e encontra um casal de imigrantes morando nele