Apesar das diversas comunidades percorridas invocando o assunto. Aonde encontrei maior evidência foi naquela região que compreende o Córrego do Macaco e o Córrego da Figueira. Comunidades antigas com ramificações de laços familiares em diversas localidades. Em outras regiões também havia a brincadeira de roda. Mas precisamente nessa região ainda existia forte vestígio de uma brincadeira diferenciada. Tudo indica que surgiu a partir das rodas. Deduzi que possa ser um ancestral do atual Siriri. Existe ampla variação de uma comunidade para outra. Mas em muitos momentos possuem fortes relações com a dança do Siriri. A maioria das marcações é baseada na cantoria e palmas. Os pares fazem pequenas evoluções independentes. Percorrendo um extenso trajeto rítmico de troca de lugares. Nessa brincadeira de roda os pares não se separam. São os mesmos desde o início até o final. Também não se tocam. Pequenos versos são trocados no início. As evoluções promovem intensa alternância. Não seguem uma ordem natural. Os versos que dão início a brincadeira assim é chamada. Em outros locais é possível ouvir o termo brincadeira de roda. Nessa região específica todos se referem apenas a brincadeira. Lá também não há mais a roda. Os pares perfilam frente a frente como numa ciranda e chegado o momento se dirigem ao centro e iniciam a evolução. A dança é livre e lembra muito a sensualidade das rodas do Siriri. Tanto que os pares não se alteram porque só é permitido: casais consanguíneos ou cônjuges. Outro detalhe observado é que nessa brincadeira a faixa etária gira em torno dos 15 anos. A brincadeira é sempre observada de longe pelos adultos. Que quando pressentem algum excesso encerram as apresentações. Os pares são extremamente insinuantes. As expressões são de sutis seduções com olhares significantes. Durante a evolução as donzelas exibem total destreza em pisadinhos miudinhos nas pontas dos pés. Giram numa febril doçura de movimentos. Leves e saltitantes como o vôo de uma garça. Depois parecem planar em círculos que levantam as saias e deixam os cabelos disputarem o ar. Cada qual utiliza o tempo necessário. Todos extravasam incríveis sorrisos e grande alegria. Ao fim de cada apresentação retornam aos lugares ofegantes. Sempre cantando e batendo palmas aguardam novamente a próxima vez. A evolução dos rapazes acontece através de sapateados e joelhados. Sempre deixando a sensação de que estão à procura da amada. Enquanto elas demonstram total liberdade e esquiva pela conquista. Poderia ser descrito como a brincadeira do amor. Algumas dessas contaminações são visualizadas no Siriri. Essa brincadeira é praticada quase que cotidianamente pelos jovens. Geralmente em noites de lua cheia quando o quintal está em claro. Enquanto que o Siriri só é praticado quando se reúne os mais velhos, a viola de cocho e a bruaca. Então a coisa fica séria. Mais técnico e organizado seguindo um conceito melhor detalhado. Nessa região específica costuma-se colocar uma lata embaixo da bruaca. O som fica metálico e estridente. Ao contrário das brincadeiras as dançarinas seguem a marcação cadenciada conforme o ritmo da bruaca. Ao perguntar como surgiu e de onde veio essa brincadeira. Muitos responderam que Aquilo é coisa de menino molecer a junta para o Siriri. *Texto extraído do livro Onças, de Luís Gonçalves, que é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado (
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