ILUSTRADO
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010, 19h:46
A
A
ADEUS
Cinema adulto Hollywoodiano
Por Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
Há tempos sumido do noticiário, o diretor Arthur Penn, que morreu terça-feira (28) com a idade de 88 anos, já tinha seu lugar assegurado na história do cinema. Seu nome fica vinculado, em especial, ao sucesso de "Bonnie & Clyde", que no Brasil ganhou o subtítulo de "Uma Rajada de Balas". Interpretado por Warren Beatty (Clyde) e Faye Dunaway (Bonnie), o filme causou impacto no ano do lançamento, 1967. A maneira um tanto amoral como Penn mostrava a dupla de assaltantes chegou a incomodar muita gente, mas a fluência narrativa, o tom de aventura, a contestação de costumes ali presentes seduziam outra parte do público. O filme tornou-se campo de batalha de uma guerra travada no seio da indústria, e batizada como a luta entre da "velha Hollywood contra nova Hollywood". Aos cineastas tradicionais se opunha a nova geração, ligada (por vocação artística e modo de vida) à contracultura - Robert Altman, Francis Ford Coppola, Jack Nicholson e Dennis Hopper, entre outros. O que mais incomodava ao público conservador era a ausência de culpa com que a história do casal era contada. Apesar dessa maré contrária, o filme foi sucesso de bilheteria e chegou ao Oscar como favorito. Mas então foi a vez da "velha Hollywood" mostrar seu poder e dar ao concorrente apenas dois prêmios secundários (fotografia e atriz coadjuvante). Hoje isso pouco importa, pois, no retrospecto, "Bonnie & Clyde" aparece como um dos títulos mais importantes dos anos 60 e 70, décadas que assistiram ao último estertor do cinema adulto de Hollywood. Em seguida, viria a infantilização da era dos blockbusters. É tamanha a influência de "Bonnie & Clyde" que o restante da obra de Penn corre o risco de ficar à sua sombra. Não devem ser esquecidos o "ecológico" e nunca chato "Pequeno Grande Homem" (1970) e os extraordinários "Mickey One" (1965) e "A Caçada Humana" (1966). São filmaços para serem vistos. E revistos.