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ILUSTRADO
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012, 21h:17

PRÊMIO NOBEL

Chinês ganha Prêmio Nobel de Literatura 2012

O escritor chinês Mo Yan, 57 anos, é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2012. O nome dele foi divulgado ontem (11) pela Academia Sueca. Nas suas obras, Yan costuma descrever o cotidiano de comunidades rurais na China, envolvendo histórias de amor e sensibilidade. Para especialistas em literatura, as obras de Yan têm forte conteúdo crítico sobre circunstâncias sociais, mas alia essa característica ao realismo mágico de Gabriel García Márquez. Nos seus textos, o chinês se dedica a detalhar imagens, cores e micro-histórias. Ele costuma falar da sua região, o Nordeste da China, e do interior do país. Segundo pessoas próximas ao escritor, ele gosta de escrever, originalmente, em chinês tradicional, usando apenas papel e pincel. Costuma ser ágil na sua produção literária e gosta de contar a origem do seu pseudônimo. Em chinês, Mo Yan passou a usar seu pseudônimo (“Não Fale”, em mandarim) a partir da publicação de seu primeiro livro. O escritor destaca que optou pelo nome porque costuma ser franco e direto nas suas colocações. O nome de batismo dele é Guan Moye. No ano passado, o Prêmio Nobel de Literatura foi concedido ao sueco Tomas Tranströmer. Sobre o escritor Mo, que se fez adulto durante a revolução cultural chinesa, quando o afã intelectual se transformou em algo suspeito, explica que escolheu seu pseudônimo porque tinha fama de ser muito direto ao falar e, ao adotar essa nova identidade, poderia se lembrar facilmente que não devia falar demais. Outros escritores, como o também chinês Ma Jian, criticam Mo precisamente por não ter defendido outros autores e intelectuais que se viram perseguidos durante a revolução cultural chinesa. Mas, por outro lado, Mo possui uma enorme fama em seu país, além de ser um dos autores chineses mais conhecidos e traduzidos. No entanto, mesmo com todo reconhecimento dentro de seu país, o escritor também já foi vítima de censura algumas ocasiões. Em seu caso, Mo opta por recriar um mundo rural - o de Gaomi, cidade situada na província de Shangdong -, ancorado no tempo e com toques de realismo mágico que popularizou Gabriel García Márquez, de humanismo de William Faulkner e de sátira de Lu Xun (o pai da literatura moderna chinesa), algumas de suas principais influências. Nascido em 1955 em uma família de granjeiros, o Nobel de Literatura 2012 abandonou os estudos na quinta série devido à Revolução Cultural. Após trabalhar no campo e em uma fábrica durante seus anos de adolescência e juventude, Mo entrou para o Exército chinês em 1976. Em 1981, ele começou a escrever contos e, em 1984, se matriculou na Academia de Arte do Exército. Em 1987, um ano depois de ser formar, publicou o “Red Sorghum: a Novel of China” (“Hong gaoliang jiazu”, no original), livro que lhe lançou à fama. Dois anos mais tarde viria “Tiantang Suantai Zhi Ge” (“As Baladas do Alho”, em livre tradução). O livro que ele considera sua obra de maior destaque, “Fengru Feitun” (“Peitos grandes e Quadris Largos”, em livre tradução), foi lançado em 1995. Depois de ter abandonado as Forças Armadas, Mo começou a trabalhar como editor de jornal, embora continuasse escrevendo seus livros, como “Tanxiangxing” (“A Tortura do Sândalo”, em livre tradução), de 2001, e “Wa” (“Rã”, em livre traduçlão), de 2009. Nos últimos dias, a imprensa chinesa passou a abordar a possibilidade de Mo ganhar o prêmio, o primeiro Nobel entregue a um escritor chinês radicado no país, já que Gao Xijian, premiado em 2000, residia na França e tinha nacionalidade francesa. Seguidor do conselho que deu a si mesmo ao escolher seu pseudônimo, Mo optou pelo silêncio nestes dias que antecedeu a definição do prêmio e deverá permanecer assim. Em algumas ocasiões anteriores, o escritor chinês já tinha advertido que não diria nada em uma situação como esta. “Uma vez que dissesse algo, eles me atacariam, como muitos já criticaram os escritores chineses pela ansiedade em torno do Nobel”, declarou Mo.

Edição EDIÇÃO 16960




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