ILUSTRADO
Domingo, 16 de Abril de 2000, 05h:05
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TEATRO
Cena Onze comemora dez anos
MIRIAM BOTELHO
Da Reportagem
A Companhia de Teatro Cena Onze está completando 10 anos de muito trabalho. Para comemorar a data vão montar através da Lei Hermes de Abreu a peça O Avarento (Moliére). O grupo já está estudando diuturnamente a história do teatro francês, e a vida de Moliére. Buscando o aprimoramento, o diretor Flávio Ferreira esteve em São Paulo e Rio de Janeiro pesquisando montagens recentes da peça, com os atores Cacá Rosset e Jorge Dória. O outro projeto para comemorar os 10 anos de batalha será o lançamento do livro Cena Onze, Dez Anos, que vai acontecer por ocasião da estréia da peça, no Teatro da UFMT, dentro em breve. O diretor e teatrólogo, Flávio Ferreira, nesses anos todos dedicados ao Cena Onze, já montou diversos espetáculos que, ganharam espaço em um seguimento tido como marginal. Tudo começou em 1990, com Hospício Brasil, com elenco formado por alunos do colégio Anglo. No ano seguinte estrearam no Festival Mato-grossense de Teatro. Naquela época, relembra Flávio, o teatro era mais competitivo. Havia o grupo Anima, Folhas (Nico e Lau), Liu Arruda e Ivan Belém, Hugo Taques, Luís Carlos Ribeiro, todos promovendo o fazer teatral. Para o diretor do Cena Onze, a sobrevivência do grupo é devido a reciclagem. Alguns dos componentes do grupo realizaram cursos de aperfeiçoamento em São Paulo. E ainda cursos com o grupo Os Menestréis, dirigido por Oswaldo Montenegro. A preocupação com o conhecimento é uma constante na vida da trupe. Durante esse tempo foram montados: Eu, o louco, O Loco Nosso de Cada Dia. Textos que trazem sempre o tema: o homem e seus conflitos, e que percorrem o caminho entre o drama e a comédia. O grupo também fez história utilizando à técnica do chamado teatro do invisível, desenvolvida por Augusto Boal. Constando performances do grupo em espaço alternativos, como: bar, ponto de ônibus, praças, shopping, sem que o público soubesse que se tratava de encenação. Ao longo desta década várias pessoas passaram pelo Cena Onze, desde os cursos oferecidos anualmente, até os componentes fixos do grupo. Hoje, o grupo vive no colégio Expressão, que tem investido na área cultural. Outras peças montadas foram: O último circo do mundo, Instantes de Instâncias, Evolução, Sobrevivência, Flicts, Saudades de Silva Freire, Bailei na Curva, estas duas ultimas peças foram beneficiadas pela lei estadual de incentivo à cultura e foram apresentadas gratuitamente a estudantes e comunidade em geral.