Enfim chegou o dia em que a galera do movimento roquenrou cuiabano vai poder levar o Macaco Bong pra casa. É uma grande conquista do power trio sair dos sítios de Internet e virar um CD. Eles já haviam lançado diversas gravações de faixas avulsas em páginas web como: tramavirtual.com.br ou reverbnation.com. Agora é diferente: eis que seu primeiro bem cultural sonoro entra na praça. O álbum Artista igual Pedreiro tem essa vontade de desmistificar a figura do artista. Explica-se: a banda é contra essa imagem do trabalhador das artes como um ser especial. A lógica tá certa. Músico, pintor, escultor são criaturas iguais a qualquer obreiro do planeta. A bela ilustração da capa tem a assinatura de Douglas Castro (da banda Bicicleta sem Freio). É alusão concreta ao mundo laboral no campo e a sensualidade da mulher. São 68 minutos com 10 faixas de tremenda força musical. A incendiária guitarra de Bruno Kayapy em vários momentos do CD me recorda a técnica de Joe Satriani. Especialmente nas faixas 06 (rancho) e 07 (bananas for you all). Tamanha a inventividade dos arranjos. Ney Hugo no baixo com suas progressões harmônicas fabulosas concede a segurança necessária para o grupo. Quem trabalha muito o tempo todo é o batera Ynaiã Benthroldo. A pancadaria polirítmica é alucinante. O Macaco Bong se firma como uma banda de grande energia no cenário musical mato-grossense. E com alguma projeção, também, na cena nacional. Já de notória experiência e credibilidade, os rapazes acumulam vasto currículo com prêmios e aparições em inúmeros festivais promovidos nos Estados de Goiás, Rio Grande do Norte, Minas, Rio. Além de shows nas principais casas do ramo em São Paulo. O CD da banda prova que não é preciso a distribuição de vantagens pecuniárias na forma do famoso jabá ou charque, que o seja, para fabricar notoriedade. O rock trio tá na mídia por mérito, jamais sendo considerado um factóide comprado. A tônica do CD é a desconstrução de arranjos tradicionais. Os meninos do Bong chutam o pau da barraca com um fusion-rock distante do formato convencional. É preciso ouvi-los, pois representam o novo na modalidade musical a que pertencem. Parabéns galera! *Ney Arruda é professor, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), violinista cuiabano e colabora com o DC Ilustrado, (
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