NA HORA
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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Maio de 2008, 14h:13

CRÔNICA

Cata-ventos da Prosa

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
O jeito e o trejeito do mestre popular criativo são capazes de reorganizar o próprio tempo e espaço. Domina a capacidade de reinventar sonhos de consumo. O brasileiro faz e ninguém se habilita a fazer melhor. Aliás, toda crítica é saudável ao redor do mundo e a nossa simplesmente é construtiva. Contém padrões e conceitos totalmente diferenciados. Bem antes de a galera mundial falar em fazer clonagem no mundo científico, o brasileiro já compunha sua moda própria por aqui, nessa terra ensolarada. Podemos dizer que temos a própria sombra. Desculpa aqui se considera vulto. E todo mundo convive muito bem, obrigado, com seu próprio vulto, sem desejar o vulto de ninguém. Ao redor do mundo os vultos vão parar no armário de troféus e são embalsamados para sempre. Alguns são sufocados com as honrarias. O vulto do brasileiro vive. Somos o “vulto” que permanece. O brasileiro é um vulto azarão que nasceu vencedor. Quase chego a pensar que o único defeito do brasileiro é a exagerada criatividade. Essa arte de recriar o óbvio acaba com a paciência da realidade. Esse é o País de centenas de pessoas que acreditam que podem e devem fazer a coisa correta. Há uma tendência enorme nesse sentido. As pessoas realmente desejam a mudança. Não é apenas a indignação isolada de um grupo ou segmento. A sociedade está indigesta. Afinal, são anos de prato quebrado nos sopões de solidariedade da vida política. Desde que deixou de usar a colher de pau da ditadura e entrou na tão melindrada democracia a coisa caiu em crise. Pois, sim: no terreiro que não tem galo quem canta é o frango e a franguinha. E o almoço fica custoso que só vendo. Pela primeira vez chego a pensar que a criatividade nos leva a opressão. Ainda não consegui formular totalmente a minha defesa nesse sentido. Porém, os fatos poluem a rotina. Vivemos aos solavancos de denúncias. Enquanto isso em algum lugar do criativo modo de ser do “Estado” a lavagem de dinheiro continua. Um mal necessário para alguém. Ou “alguns”... *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colaborador do DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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