ILUSTRADO
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010, 20h:01
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FESTIVAL
Brasília: a coragem de jovens cineastas
Os jovens diretores Felipe Bragança e Marina Meliande, com A Alegria, mostram um cinema interessante, pouco usual, que pode intrigar a plateia e coloca algumas questões aos críticos
Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
Na apresentação de "A Alegria", no palco do Cine Brasília, o diretor Felipe Bragança disse que havia dúvidas quanto à seleção dos concorrentes deste ano, formada por jovens realizadores. "Não se trata de ter dúvidas, mas festejar a coragem que alguns têm de fazer cinema." Ao lado dele, a outra diretora do filme, Marina Meliande, e o resto da equipe. Foi sob esse signo do cinema jovem, que começou a mostra do 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Salto no escuro de um festival até agora acostumado a nomes consagrados e, este ano, verá rostos desconhecidos sucedendo-se no palco e nas imagens na tela. O fim da sessão foi menos grandiloquente que seu início. O filme foi aplaudido, mas não muito. Diante de uma plateia, em sua maioria de jovens e universitária, "A Alegria", com sua narrativa pouco convencional, enfrentou certa dificuldade de comunicação. O filme é o segundo da trilogia "Coração no Fogo", que a dupla pretende realizar: o primeiro é "A Fuga da Mulher Gorila", que venceu a Mostra de Tiradentes de 2010. Bragança & Meliande fazem um cinema interessante, pouco usual, que pode intrigar a plateia e coloca algumas questões aos críticos. Uma delas: até onde irá a influência precoce sobre o jovem cinema brasileiro de Apichatpong Weerasethakul, Palma de Ouro em Cannes com Tio Boome, Que Podia Ver Suas Vidas Passadas?. De todo modo, se a forma faz lembrar o tailandês, a ambiência de A Alegria é bem carioca. Põe no centro da história uma adolescente com sua crise de idade, em meio a outra crise, a da violência urbana, que ganha relevo com a atual onda de ataques no Rio.