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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 07 de Novembro de 2015, 13h:39

DISCOS

Arnaldo Antunes ainda mais eclético

Arnaldo Antunes lança Já É, seu 16º disco, após passar seis meses viajando entre os EUA, a Itália, o Uruguai e a Índia

Foram seis meses em cenários distintos. Viagens, algumas mais longas, outras curtas, que tinham o Brasil como ponto de retorno. Nesse seu período sabático, Arnaldo Antunes e a mulher, a artista plástica Marcia Xavier, passaram por Uruguai, Paraty (RJ), Nova York (EUA), Índia e, por fim, Milão e Roma (Itália). Tudo sem pressa. O músico precisava de um respiro no cotidiano atribulado, atropelado pelos muitos trabalhos, para refletir, contemplar. Inebriado por essas paisagens e impregnado por esse estado de espírito, ele compôs boa parte das 15 canções de seu novo disco, Já É, o 16º álbum da carreira. “ Percebi que compunha muito quando tirava férias. Nesses períodos, me colocava em um estado de disponibilidade muito propício. Pegava o violão, ficava compondo sem compromisso”, disse o cantor e compositor que, logo após as férias ampliadas, lançou um livro de poemas, Agora Aqui Ninguém Precisa de Si, e inaugurou a exposição Palavra em Movimento, em Brasília. Além do período maior de descanso, Antunes mudou o local de gravações – Já É foi registrado no Rio de Janeiro – e o produtor, o requisitado Kassin, com quem trabalhou pela primeira vez. Era para ser um EP, relata o artista, com seis faixas e seis produtores, um para cada música. Mas, durante as tais férias, os planos mudaram: “Comecei a compor e vi que todas as músicas tinham um elo temático. Então, adiei o projeto do EP e fui atrás de alguém para amarrar tudo. Foi maravilhoso ter ido ao Rio, estar com Kassin e músicos com quem já havia trabalhado pontualmente antes, como Cézar Mendes, Pedro Sá e Davi (Moraes). Acho que gravar com eles deu uma renovada na sonoridade no meu trabalho”, disse. Muito dessa renovação Antunes atribui a Kassin e sua versatilidade e atuação atenta aos detalhes. As faixas de Já É se conectam por temas próximos, como a negação à pressa, a alegria com o momento, a naturalidade, o sentimento de gratidão e a meditação. Grande parte delas é nova. Há algumas poucas canções que são anteriores, como As Estrelas Sabem (com Zé Miguel Wisnik) e As Estrelas Cadentes (com Ortton). Coerente com a obra do compositor, o álbum tem um ecletismo de ritmos, da primeira faixa, a contagiante Põe Fé que Já É (parceria dele com Betão Aguiar e André Lima), que remete à sonoridade do Pará – com a qual Arnaldo já havia flertado em Ela É Tarja Preta, em Disco (2013) –, passando por Saudade Farta, numa levada bossa-novista, e pelo samba Só Solidão (com Marcia Xavier), até desembocar no mantra Aqui Onde Está (também com Marcia). “ Acho que este disco é menos rock’n’roll. Tem só dois (rocks) no álbum todo: O Metereologista (composto por Antunes sob o efeito do frio norte-americano) e Na Fissura (com Betão Aguiar e Chico Salem). O resto é mais cool. Acabo compondo com essa variedade mesmo”, define o músico.

Edição EDIÇÃO 16962




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