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ILUSTRADO
Terça-feira, 25 de Agosto de 2015, 20h:28

ARTES PLÁSTICAS

Areia sobre tela reproduz obras famosas

Exposição com obras que refazem clássicos de artistas como Picasso e Tarsila do Amaral, acontece durante Fórum de Ressocialização e Direitos Humanos

BEATRIZ SATURNINO
Da Reportagem
Já ouviu falar em areia sobre tela? Onze réplicas feitas com areia, de obras consagradas como “O Abraço” e “O Gato”, do pintor espanhol Pablo Picasso, e também “Abapuru”, da artista brasileira Tarsila do Amaral, além de obras do contemporâneo pernambucano Romero Britto estarão em exposição no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, no período de 26 a 28 de agosto. São telas produzidas por reeducandos do Centro de Ressocialização de Cuiabá para o Fórum Internacional de Ressocialização e Direitos Humanos. É a arte como terapia e desenvolvimento de uma profissão com Tarsila do Amaral, artista-símbolo do modernismo brasileiro. Com Romero Britto, pelos quadros que evocam o espírito de esperança e transmitem uma sensação de aconchego. Suas obras são chamadas, por colecionadores e admiradores, de “arte da cura”. “O Abraço” está na denominada fase azul do inventivo e desafiador pintor espanhol Picasso, antes de experimentar os moldes geométricos do cubismo, representado, por exemplo, na obra “O Gato”. Na tela “O Abraço” há uma gama estreita de cores, variando em tons de azul e pastel. Pois bem, com uma tela de madeira compensada de 0,80x1,0, rascunha com um lápis e por etapa aplica uma cor por vez, utilizando de cola para fixar a areia para decoração de aquários, a partir de cristal de quartzo. É assim que se confecciona uma tela sobre areia. Parece fácil, certo? Porém, não é. Requer tato, destreza, paciência para esperar a cola secar e retomar ao trabalho, pois, se errar, somente uma talhadeira com martelo para retirar todo o material já endurecido feito concreto. E quando pronto chega a pesar mais de 10 quilos. Na verdade, Eurico Ramos de Oliveira, ex-reeducando e que está a frente da produção e multiplicação desta arte no CRC, há pouco mais de dois anos, aprendeu a fazer com casca de ovo, pelo curso profissionalizando oferecido pelo Sistema Penitenciário, por meio do Senai - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Mas descobriu outra técnica, com a areia colorida para decorar aquário. “Juntar tanta casca de ovo dá muito trabalho. Demora para juntar e depois o processo para deixá-la pronta é trabalhoso, de ter que lavar, esparramar em cima do tecido para secar e em seguida moer, peneirar para só assim iniciar o processo na tela”, conta Eurico, que está em liberdade há pouco meses e já está trabalhando com artes plásticas na Fundação Nova Chance. Pensou a princípio na areia lavada, mas ela é lisa e não pega cor. Então viu a saída nas já colorida areia decorativa para aquário. Ele gasta em média 12 pacotes de 1kg cada e muita das vezes corante de pigmentação para tonalizar a tela. O convite para Eurico expor suas obras já é antigo, desde quando estava ainda no CRC, segundo ele, quando presenteou a primeira-dama do Governo do Estado de Mato Grosso, Samira Taques, com a tela “O Abraço”, aos moldes de Romero Britto. Agora se faz realizado no Teatro Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativ, junto de telas de outros reeducandos que aprenderam a técnica repassada por Eurico. Além das artes plásticas, o artesanato também faz parte da exposição deste encontro, como tapetes, telhas decoradas e oratório em telha, confeccionados por homens e mulheres do sistema prisional de Mato Grosso. Todas as peças serão comercializadas, das 8h às 17h, enquanto acontece o Fórum Internacional de Ressocialização e Direitos Humanos. “Nossa função é ressocializar para reintegrar à sociedade. Ao entrar na unidade o reeducando tem que sair melhor do que entrou. Então é de grande valia, como no caso de Eurico que já está empregado na Fundação”, destaca o diretor do CRC, Winkler de Freiras Teles. Para informações sobre aquisição, 9207-1002.

Edição EDIÇÃO 16968




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