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ILUSTRADO
Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011, 19h:15

SHOW

Acampados com a Música

“Triêro Pifado” é o nome do espetáculo de sons que quatro rapazes apresentam neste domingo

Martha Baptista
Da Reportagem
Triero em “goianês” é o termo que designa um caminho que vai ficando marcado. Para o público que acompanha o trabalho dos goianos Anthony Brito, Pedro Verano, César Henrique e Diogo Machado, Triêro é o nome de um grupo musical que prima pela originalidade. Já faz algum tempo que os quatro músicos vêm conquistando uma legião de fás fiel e entusiasmada, com suas apresentações, em que mostram um trabalho autoral e também fazem uma releitura da MPB, com destaque para arranjos de composições de Luiz Gonzaga e Hermeto Pascoal, entre outros autores. Fundado há sete anos, o Triêro é um grupo nômade por vocação. “A gente costuma dizer que nossa casa é a Kombi”, diz Anthony Brito, em resposta à pergunta sobre onde os músicos moram. O Triêro tem aquela coisa meio circense, de “acampar” por longas temporadas em alguma cidade e lá fazerem seus espetáculos como meio de vida. Os músicos chegaram há pouco tempo de uma temporada no Estado do Rio. Alugaram uma casa na cidade litorânea de Rio das Ostras, onde se apresentaram num festival de jazz, e de lá saíram para fazer shows em Macaé, Niterói e outras cidades próximas. Agora estão em Cuiabá, onde se apresentam no Teatro do Sesc Arsenal amanhã, e devem ficar por aqui até o início de 2012. Na próxima sexta-feira (dia 4), o grupo vai tocar forró no bar Choros & Serestas, o Chorinho, que foi sua casa durante um bom tempo. O Triêro foi um dos responsáveis, com suas apresentações nas noites de quintas-feiras, pelo fato do tradicional bar do bairro Jardim Tropical ter caído no gosto da moçada. BAMBU A versatilidade dos músicos do Triêro – com idade de 28 a 34 anos – faz com que eles dancem conforme a música. Em outras palavras, não existe apenas um show do Triêro e sim várias versões, inclusive, uma dirigida ao público infantil (“Triêro dos Meninos”). Isso não quer dizer que o grupo não tenha uma personalidade, muito pelo contrário. Eles podem tocar a MPB de barzinho para a galera dançar ou “Trenzinho do Caipira” de Heitor Villa Lobos ou ainda uma composição do próprio grupo, e serão sempre Triêro. Uma das características mais fortes do grupo é o desenvolvimento de seus próprios instrumentos. O show deste domingo, “Triêro Pifado”, recorda a formação original. “A gente começou a banda com os pífanos (flautas de bambu) e depois fomos introduzindo outros instrumentos”, conta Anthony. Quem for ao show do Sesc Arsenal terá a oportunidade de ouvir parte do repertório dos três CDs em versão instrumental, com a utilização de flautas, saxofones e outros instrumentos de bambu e/ou feitos a partir de materiais reciclados, como o chinelobu (uma espécie de xilofone) e o garrafofone (também usado para percussão). A propósito, a percussão é outra marca forte do Triêro, que acaba fazendo um som com forte influência nordestina e também da cultura do Centro-Oeste. “Quando a gente vai para um lugar quer conhecer a música e os músicos locais. Tudo isso interfere no nosso trabalho como compositores, arranjadores e instrumentistas. A gente gosta de rodar mesmo, conhecer o Brasil”, afirma Anthony, que trouxe para o grupo um lado mais circense, herdado da mãe, que tem uma trupe de circo, a Cia Volta Seca. Essa coisa de vestir de palhaço, brincar, tem sido usada com sucesso no espetáculo “Triêro dos Meninos”, apresentado recentemente na Mostra Internacional de Teatro Infantil (Miti), em Cuiabá. O Triêro é isso: um grupo itinerante, que realmente faz da arte (principalmente a música) um caminho de se viver. SERVIÇO O QUE: Show Triêro Pifado QUANDO: amanhã (domingo), às 20h ONDE: Teatro do Sesc Arsenal QUANTO: R$ 15 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5 (comerciários) MAIS INFORMAÇÕES: 3616-6901

Edição EDIÇÃO 16960




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