NA HORA
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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 21 de Março de 2009, 14h:01

CRÔNICA

A Vitória da Roleta

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
O mundo da disputa não acumula espaço para dividendos posteriores. Assim alguns perdem enquanto outros ganham. Mesmo que no frigir dos ovos encontre espaço para a velha e manjada pergunta da vovó: quem perde o quê? Perder e ganhar é sinônimo de disputa. Algumas acirradas outras nem tanto. Alguns perdem ganhando; outros ganham perdendo. Algumas derrotas são melhores que muitas vitórias e vice versa. Parafraseando o morto: quem vive, sempre é vitorioso. Acontece que a vida às vezes é tão rica em oportunidades e aventuras que não dá tempo de curtir a vitória como ela realmente merece. Então a derrota se aproxima sorrateiramente. Vestida com o manto escuro da ilusão. E aquele lindo troféu de vitória começa a se enferrujar; perde o brilho e ganha alguns pesadelos de velhos castelos de sonhos mal assombrados. Não chega ninguém pra avisar que o show acabou. Que os sonhos se foram. A velocidade da informação é tão grande que não há mais tempo para os famosos leite derramado. Em mundo que tudo copia, nada se cria. Mas não importa, atrás da cortina os camarins estão ainda iluminados. Tudo pode ser reciclado e devolvido ao glorioso mundo do consumo nosso de cada dia. Onde baila as mariposas embaladas por discos de vinil. Não dá mais para perder tanto tempo com o que foi?, e o que deveria ser. Ao perdedor cabe a assimilação rápida da derrota e o recomeço perspicaz. Quanto mais rápido isso acontecer melhor será a retomada. Acabou aquela distância traiçoeira entre a vitória e a derrota. O poder de reabilitação é tão eficaz que não dá trégua para a ilusão. Na maioria das vezes o profissional vitorioso já entra sabendo como vai ser a derrota. Se não tomar cuidado corre o risco de passar direto pelos corredores e entrar numa porta e sair pela outra. Idas e vindas das ondas! A informação gira na velocidade da luz e consome qualquer desavisado. O mercado é tão seletivo que não distancia o selo de garantia da excelência, da venda. Tudo é uma questão de estoque. Pronta entrega e rapidez de consumo. Não há tempo hábil para as preposições. Composições, as vezes são colóquios tão superficiais, como as novenas das virgens da rua do pito aceso. O grande rei desce a charrete sem o cedro e é obrigado a valsar sem a coroa. Antes do cronômetro, ganhar tempo ia além de um fast food. Poupar tempo era bem mais que um mercado de bens de serviços. Enquanto isso ganhávamos a vida comentando a vitória do ócio. Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL