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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 11 de Junho de 2011, 13h:35

RESENHA

A Viola diferente em Castilla La Mancha

CD da moça é um mosaico de várias tendências da escola melódica espanhola. Os estilos vão das “castellanas y sefardíes” até canções judaicas e o flamenco

Ney Arruda
Especial para o Diário de Cuiabá
Retornando de uma viagem de estudos pelos arquivos históricos de Madrid no início deste ano, recebi o convite de um querido casal de amigos de Castilla y León para um final de semana na cidade de Toledo. Rodovia excelente, duas pistas independentes, um “tapete”. Eu, Ita e Gustavo Ortega chegamos de manhãzinha na linda cidade fortificada para o café da manhã. Toledo foi fundada por mouros e cristianizada em 1085 na sangrenta luta da Reconquista. Ela fica a 80 km da capital madrilenha na Comunidade Autônoma de Castilla La Mancha. Sua gastronomia milenar e apurados vinhos são de uma sensibilidade ímpar para refinados paladares. Foi uma cidade de convivência pacífica e histórica entre árabes, cristãos e judeus. Tive uma grande emoção visitando as Sinagogas toledanas e o museu–casa do pintor El Greco. Até aqui um turismo sensacional em companhia de espanhóis da melhor qualidade. Procurando um presente de casamento de aniversário para a amada esposa, caminhávamos em meio às ruelas medievais calçadas com pedra polida. Incontáveis lojas de lindas espadas e armaduras geniais. O mergulho no tempo era inevitável. Uma parada para um delicioso café “castellano-manchego”. De repente ouço um som que eu jamais havia escutado nesta minha encarnação imperfeita. Nossa! Preciso ver quem está tocando! – exclamei para o casal. Dobrei a esquina da catedral gótica e vi Ana Alcaide tocando com um amigo. Imaginem, a cidade repleta de turistas. A violinista toledana estava ali tocando seu instrumento. Divulgava seu trabalho com uma simplicidade desconcertante. Ouvi ali o instrumento que funde em sua estética um pequeno teclado de madeira e a viola, prima do violino, porém com cerca de 13 mini-cordas. E uma sonoridade absurdamente mediévica. Que nos remete às tabernas e estalagens das antigas aldeias européias. Foi impossível não comprar o CD denominado “Ana Alcaide – viola-de-teclas”. Conversamos por breves instantes e ela me disse que se encantaria em viajar pelo Brasil fazendo concertos com sua banda. O recado está dado a quem possa organizar. O CD dela que estou ouvindo enquanto escrevo é um mosaico de várias tendências da escola melódica espanhola. Os estilos vão das “castellanas y sefardíes” até canções judaicas e o flamenco. Ana escreve em um texto de seu CD que conheceu a viola-de-teclas em uma viagem a Uppland na Suécia. Lá o instrumento chama-se “Nychelharpa” que significa literalmente harpa de chave. Mas o arco do violino é que, atritado fere a corda, e produz o som. Enquanto as teclas selecionam o intervalo das notas musicais. Vale a pena acessar o sitio na Internet da competente musicista. E conhecer um pouco a cultura musical do centro da Espanha. Além de ouvir a sua formidável arte em vários instrumentos como o rabel, o violino e a viola. Apartir dos vários links ofertados pela moça como o MySpace. Acho que vocês vão gostar. *Ney Arruda é professor universitário, advogado, doutorando pela Universidad Pablo Olavide (Sevilla - Espanha), estudante da arte do violino e colabora com o DC Ilustrado ([email protected]) SERVIÇO: O QUE É? CD “Ana Alcaide – viola-de-teclas” GRAVADORA? Lubicán Records ONDE? http://www.anaalcaide.com/

Edição EDIÇÃO 16960




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