ILUSTRADO
Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:32
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DVDs
A vida é a mais suprema obra de arte
Vicky Cristina e Barcelona, de Woody Allen, Segurando as Pontas, e Irina Palm, com a antiga musa dos Stones, são títulos que chegam
Juarez Copertino
Especial para o Diário de Cuiabá
A emigração dos Estados Unidos para a Europa tem funcionado como um tônico revigorante para a imaginação e forma do veterano cineasta Woody Allen (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Hannah e Suas Irmã, A Rosa Púrpura do Cairo, Poderosa Afrodite, Tiros na Broadway), que prestes a completar 73 anos, continua na ativa desenvolvendo uma nova e brilhante fase em seu trabalho. Depois do dramático Match Point e do trágico O Sonho de Cassandra, filmados em Londres, ele volta a explorar a comédia (gênero em que é mestre) em Vicky Cristina Barcelona (EUA/Espanha, 2008/Imagem), uma engraçada e liberal celebração do amor e todas as suas configurações, tendo como cenário Barcelona. O 38º filme de Allen como diretor é tradução mais do que bemvinda dos sentimentos ligados ao amor e a paixão. Numa espécie de manual sentimental, ele tece uma delicadíssima história sobre as desventuras e aventuras amorosas de duas americanas, as amigas Vicky (Rebecca Hall, guarde esse nome!) e Cristina (Scarlett Johansson, atual musa de Allen), em viagem de férias na cidade espanhola. A primeira prestes a se casar com rapaz certinho e bem sucedido, quer aprofundar os estudos na cultura catalã. A segunda, livre, leve e solta, não sabe o que deseja da vida é uma aventureira, tanto emocionalmente quanto sexualmente. Na cidade, elas conhecem o pintor Juan Antonio (Javier Bardem em seu modo sexy), tipo conquistador pouco afeito a rodeios. Sua objetividade parece ferir a puritana Vicky, enquanto Cristina se encanta com o artista e inicia um caso com ele. Para apimentar, atrapalhar ou mesmo incrementar a relação deles, eis que ressurge Maria Elena (Penélope Cruz, salerosíssima, em atuação que lhe valeu o Oscar 2009 de melhor atriz coadjuvante), a temperamental ex mulher de Juan Antonio, uma galáxia de emoções à flor da pele. Ainda apaixonados um pelo outro, Juan Antonio e Maria Elena não conseguem ficar juntos sem, literalmente, matarem-se. Enquanto isso, Vicky começa a questionar sua vida totalmente nos trilhos e totalmente sem graça. Uma irresistível meditação sobre a natureza da paixão, o roteiro inspiradíssimo enfoca, com raras sabedoria e maturidade, a maneira como as inusitadas conquistas amorosas podem (ou não) afetar o destino afetivo dos apaixonados. Com sua historia picante, cheia de segundas intenções e absolutamente saborosa, protagonizada por um elenco que dá seu recado a contento num cenário ideal e encantador, Vicky Cristina Barcelona é o filme mais vibrante, sexy, juvenil e alto astral de Woody Allen em décadas.