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ILUSTRADO
Segunda-feira, 05 de Fevereiro de 2007, 20h:00

TESE

A natureza de Manoel de Barros

Cristina Campos, professora e escritora, acaba de defender tese de doutorado centrada em Manoel de Barros e na ambiência pantaneira

ADRIANA NASCIMENTO
Da Reportagem
A simbiose entre o escritor Manoel de Barros e a natureza foi a linha-mestra da tese “Manoel de Barros – o demiurgo das terras encharcadas – Educação pela vivência do chão”, defendida na última semana, na USP, pela escritora e professora de literatura do Cefet, Cristina Campos. O personagem-tema foi escolhido, conforme Campos, porque a proponente trabalha sempre com novos paradigmas científicos. Ela destaca que sempre segue a linha da cultura regional em sua trajetória acadêmica. Seu mestrado foi sobre a cultura pantaneira. Daí foi um pulo até chegar ao Doutorado a Manoel de Barros. “Não enxergo a cultura e a natureza separadas. Sei que há sempre uma interação para a criação e, Manoel de Barros é um grande exemplo disso”, explicou. Para Cristina, a importância do trabalho do poeta mato-grossense, é que ele não trabalha só a paisagem, mas a cultura dos antigos e as faz continuarem vivas para as novas gerações. Ao todo a tese tem 412 páginas divididas nos tópicos: Vida, História e Natureza Pantaneira. Toda a argumentação foi baseada em matérias de revistas, jornais e internet de todo o país sobre o autor, publicadas desde a década de 70. Isso porque o poeta é arredio a entrevistas e, quando concede, é por escrito e no seu tempo. Um exemplo é a que deu ao jornalista José Castelo, que demorou três meses para ser respondida por escrito pelo correio. De posse das informações, Cristina acrescenta que fez uma leitura simbólica do autor a partir da perspectiva de circularidade de sua obra. “Falo dessa interação. Desse pensamento que remete o pantanal a Manoel de Barros e vice versa. Cito também vários mitos em que sua obra é ancorada. Um deles é o da imagem da Grande Mãe, que se traduz num labirinto com o pantanal em seu centro. Isso significaria que o Pantanal é o Paraíso perdido”, afirma. A tese levou nota máxima da banca examinadora composta pelos escritores: Yasmin Nadaf, Lúcia Helena Vendrúsculo, Marcos Ferreira e Idméa Siqueira. Todos foram unânimes em recomendar a publicação. Mas, por enquanto, todo este trabalho, que tem a intenção de ser lançado em livro único e também numa coleção composta por cada tópico, está disponibilizado apenas pela USP e na Biblioteca do Cefet. “Estou em busca de verbas para a publicação e espero conseguir recursos pela Lei de Incentivo à Cultura em breve”, revelou a autora. Opções e planos – Além de Manoel de Barros, Cristina comentou que outros nomes mato-grossenses também seriam interessantes alvos de pesquisa. São eles: Silva Freire, Ricardo Guilherme Dicke e Wladimir Dias Pino. Da nova geração ela destaca Aclyse de Mattos. “Acredito que quando uma obra é poética ela tem que transbordar imagens e Mattos consegue isso muito bem”, comentou. Seguindo sua linha literária ambiental a última obra de Cristina Campos é a co-autoria de “Conferência no Cerrado”, legado do escritor Durval França, que ela pegou para revisar e construiu o final, já que França faleceu antes de terminar o livro. Esta é uma obra infanto-juvenil que trata da destruição do cerrado pela monocultura da soja. Nele, todos os guardiões da natureza como o Curupira, o Pé de garrafa, o Tibanaré e outros se encontram na Caverna Aroe Jarí. O livro está em fase e captação de recursos. Mas a autora avisa que quem quiser participar desse projeto com patrocínio pode entrar em contato pelo telefone 9924-2964 ou pelo e-mail [email protected].

Edição EDIÇÃO 16969




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