ILUSTRADO
Quarta-feira, 15 de Julho de 2015, 20h:31
A
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A ilha da Guerra Fria
Pertenço à geração do Cuba Sim, Ianque Não. Um rapaz latino-americano dos milhões que admiravam e seguiam os barbudos de Sierra Maestra. Tive o privilégio de viver nos extremos que fizeram Cuba entrar numa fria. Não é fácil desatar nó ideológico. Livrar-se de dogmas. Fundamentalismos. Abrir-se para a realidade incontestável. Saltarei os parágrafos da vitória da Revolução. Da crise provocada pelos mísseis soviéticos a poucos quilômetros dos Estados Unidos. Do acerto entre Kruschev e Kennedy que usaram Cuba para seus interesses de hegemonia e influência. Da fracassada invasão pela Baia dos Porcos. Não comentarei a pressão e presença forte de cubanos nos Estados Unidos, contrários a Fidel Castro, os que de fato, forçaram e conseguiram o embargo comercial que agora Barack Obama promete terminar com a aprovação de Raul Castro. Os entendimentos estão acelerados. Vamos ao point: Cuba está preparada para viver sem o embargo de 50 anos? Vizinha, a ilha será engolida pelo mar do Império? Os cubanos querem ter relações normais com os Estados Unidos? Como eles se beneficiarão? Eu conheço Cuba. Mas, não como Adriana Berger, neta e filha de comunistas da ex-Alemanha Oriental. Ela conhece Cuba muito bem. Segue a mensagem que ela enviou de Havana: Jota, os cubanos estão preparados. E saberão, sim, tirar proveito do fim do embargo e das novas relações com o Império do Mal. Com bom humor, dignidade, honradez, patriotismo, venceu as agruras de tempos muito difíceis. Povo educado, gentil, solidário, sem analfabetos, com boa saúde e segurança pública, suporta desafios e dificuldades. Cuba não tem fronteiras agrícolas. Não tem como expandir-se. Seus minerais: níquel, cobalto, manganês, ferro, e seus produtos agrícolas: açúcar, café, cítricos, frutas, legumes, verduras, tabaco, podem ser adquiridos por grandes empresas dos EEUU, Canadá e União Européia que já responde por metade dos investimentos na ilha. Cuba já exporta vacinas, remédios, serviços de saúde pública. A biotecnologia avançará muito mais com a tecnologia norte-americana. E o turismo, pilar da economia cubana, alcançará números espetaculares. Lembra-se, quando fomos a Varsóvia e depois a Berlim, e no trem, todo mundo cantando Guantanamera? A natureza e a beleza da ilha continuam intactas. Mais três milhões de turistas. Veremos um renascimento turístico sem precedentes no Caribe. De quatro milhões de turistas atuais, com os cubanos naturalizados, seus filhos, netos, bisnetos, amigos, a ilha poderá receber mais três milhões de turistas dos Estados Unidos. A meta é 10 milhões de visitantes. Imagine a receita disso criando empregos, restaurantes, bares, grupos musicais, artistas, shows, cinemas, teatros, hotéis, taxi, aeroportos, portos, barcos. E os cassinos, voltarão a funcionar? A propaganda soviética ensinava: Cuba é quintal dos Estados Unidos/Os ianques exploram os cassinos. Eu não jogo. Mas, sou a favor da reabertura dos cassinos. A ilha deve atrair tipos diferentes de turistas. Se o gringo viaja para jogar em Atlantic City, Las Vegas, Nevada, em navios, ele pode sim passar um weekend tentando a sorte num cassino cubano, em dólar. E a verdinha é o que Cuba mais necessita para melhorar a vida do povo. Dois bilhões de dólares/ano. É claro que há muito a ser feito para o fim definitivo do embargo: Umas seis mil empresas aguardam decisão da Justiça norte-americana, querem ser indenizadas pelo governo cubano. Há o problema da base militar em Guantánamo. Obama já anunciou que Cuba sairá da lista de países que apóiam o terrorismo internacional. Aumentou o limite de envio de dólares dos EEUU que é de 500 para dois mil. Já são 2 bilhões de dólares por ano chegando do Império presidido por El negrito de Washington. Terão Master Card e outros cartões de crédito. É claro que há opositores. O lobby cubano na Flórida, em Nova York, New Jersey, Washington, é muito forte. Há cubanos que não querem nenhum tipo de relação com os irmãos Castro. Há radicais do Partido Republicano que são contra acabar com o embargo. E há fossilizado, inclusive no Brasil, a dizer que essa reaproximação com o Império, com o Capitalismo ianque, é uma traição aos ideais da Revolução cubana. O povo cubano será beneficiado, sim, com o fim do embargo. O cubano quer tem acesso ao colossal avanço e progresso tecnológico dos EEUU. Os acordos, negócios, empresas, serão bem vindos. Mas, o governo cubano saberá ditar as regras, manter o controle. Corrupção, como fazem os revolucionários, guerreiros do povo, do Brasil, aqui, nem pensar. (AB).