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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 05 de Fevereiro de 2013, 21h:00

EUBIOSE

A EUBIOSE ATRAVÉS DAS IDADES III

Sebastião Vieira Vidal
Especial para o Diário de Cuiabá
A alma humana é compreendida sob o critério eubiótico como Vontade, Inteligência e Sensibilidade. A Eubiose estuda estes aspectos e suas manifestações na alma humana e as fases que apresenta no fenômeno psicológico do homem . A alma humana expressa um ser eubiótico, um ser segundo a Eubiose no fenômeno das hierarquias que constituem o homem. Três aspectos que compreendem três fases da manifestação. Como as ciências sociológicas podem ser encaradas sob o aspecto eubiótico? A política é a arte de governar, a arte que rege os povos entre si. É o que faz com que os homens se reúnam formando as sociedades. A necessidade de defesa contra o meio. Ora, a defesa é, portanto, o instinto que obriga os homens a se unirem, porque a união faz a força. Logo, poderão lutar contra a natureza agreste, rude, É a luta pela existência. Ainda que a luta tenha dois grandes motivos de ordem animal: a nutrição e a procriação da espécie. Existem três fatores preponderantes: a) a defesa do indivíduo; b) a conquista do pão, alimento; c) o instinto que o leva a se multiplicar (conservação da espécie). Acontece, porém, que o instinto sexual mórbido nos seres elevados e as conquistas traiçoeiras dos seres inferiores, levam-nos a lutar entre si, resultando disto a necessidade da defesa entre os próprios indivíduos da mesma espécie. Como podem os seres da mesma espécie defenderem-se, embora reunidos, das lutas que surgem entre eles? Sim, pelas instituições este instinto de defesa, quando progride com os seres, faz surgir a necessidade da criação das leis. Estabelecem, pois, normas que têm o intuito de manter relações entre os seres. É a necessidade da sociabilidade. Os seres humanos se unem para defender aqueles princípios. Isto gera, portanto, a instituição política. A instituição política é o equilíbrio entre o princípio da liberdade e o princípio da força bruta ou o domínio. O domínio e a liberdade pedem à instituição que harmonize essas duas manifestações. Logo, a Lei estabelece o equilíbrio entre o princípio da liberdade e o do domínio. Uma lei, um código, que não corresponde a uma necessidade coletiva é fictícia, artificial, cai facilmente, por não ter meios de aplicação. Quando se reúnem legisladores para organizar leis, sem ter o conhecimento das necessidades físicas e psíquicas da coletividade, dão causas às revoltas, às reações... O princípio da política está, portanto, estabelecido. Mas poderá haver política, poderão haver instituições, se faltar essa renúncia a si mesmo, capaz de semear e expandir a felicidade? O que falta para a política perfeita? É essa consciência da renúncia. A vontade que renuncia à afirmação de si própria. Com dirigentes dessa natureza, ela será perfeita. Imaginem uma constituição política que fosse absolutamente moral; um Poder Executivo que só visse o interesse coletivo. Falta ainda uma condição: a do trabalho, da atividade. A fomentação das riquezas para a sua evolução. O trabalho permite o desenvolvimento pleno da Vontade, em seus três aspectos. No ponto de vista iniciático, quando não há trabalho para os discípulos, eles podem degenerar na ação das coisas que não perduram. Por isso todo iniciador procura incentivar os discípulos ao máximo de trabalho, a fim de evitar o erotismo espiritual, o hábito de reclamar as coisas, a falsa modéstia, a falsa auto-suficiência. O trabalho corresponde ao cultivo da segurança, confiança em si próprio. Por isso diz o provérbio: “Quem dorme muito, pouco aprende...” O que tem hábito de trabalhar, não gasta o tempo inutilmente. Logo, evita a ociosidade. Se o trabalho nega o ócio, a ociosidade, logo, “fazer negócio” é negar a ociosidade, é promover a troca de coisas, de objetos, de riqueza. Um aspecto particular de se empregar o trabalho. Trabalho tem o sentido de esforçar-se por alguém, por um ideal, por alguma coisa, posto que tem o sentido daquele que se dá por outrem. Ora, tem o mesmo sentido de tributário, o que tributa alguma coisa para outrem. O ser trabalhador, o ser tributário, é estar sempre em ação a favor de alguma coisa, sem interesse pessoal. Vamos falar do trabalho, influenciando nos aspectos da Eubiose. Tentaremos desenvolver o assunto, um aspecto mais e dentro das nossas pesquisas. O trabalho é, portanto, o processo pelo qual se desenvolvem dois aspectos da Vontade, que será eubiótico, se for acompanhado da inteligência e do sentimento, isto é, do princípio científico das ciências empíricas e da estética, da arte que só é adquirida pela educação. Esse trabalho eubiótico como se processaria no mundo? Provocando a felicidade, o equilíbrio. Permitindo que se faça do trabalho um prazer e não um sacrifício. A respeito disso escreveu, com muita sabedoria, o Professor Henrique José de Souza : “A Humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado”. A grande sabedoria está em realizar um trabalho qualquer, mas funcionando com prazer, com gosto, em que o seu cumprimento constituísse satisfação e felicidade. Sim, o homem faria o que gostasse e, ao mesmo tempo, teria o resultado dos seus esforços, estaria a salvo de todas as necessidades. Além de dar educação aos filhos, de acordo com as necessidades, poderia também, gozar esteticamente com a aplicação da Eubiose e dar vazão aos seus sentimentos artísticos. O trabalho feito de acordo com a vontade do indivíduo seria um trabalho feliz. Um trabalho que trouxesse a todos grande satisfação, felicidade, êxtase, que provocasse em todos euforia, porque sabendo que trabalhávamos para a felicidade dos outros e consequentemente, para a nossa, permitir-nos-ía um ambiente a nosso gosto e de acordo com as nossas necessidades. Trabalho em que pudéssemos viver tranquilos e felizes, sem a preocupação do lucro exagerado. Um trabalho assim não pode deixar de trazer felicidade a quem quer que seja. Ora, aquele que não procura uma atividade, não pode ser feliz. Esse trabalho poderá ser de qualquer natureza, mas que seja executado com prazer, posto que será executado de acordo com as aptidões e tendências. Por exemplo: não é pegar um artista e jogá-lo numa oficina de mecânica, pô-lo para cavar a terra, etc. Seria ele, forçosamente uma vítima, assim como aqueles que amam as máquinas forçá-los a trabalhar num atelier. Seria um infeliz... nada poderia produzir. É como se trabalhasse com um braço amarrado. Por isso, atualmente, a preocupação com os métodos de seleção e com a orientação profissional. O indivíduo se encontra desde logo e não perde tempo em fazer as coisas fora de sua vocação. O trabalho é a mola mestra, propulsora da vontade em todos os seus aspectos. Cada um procura sua profissão, seu meio de trabalho para a subsistência, de acordo com as tendências, “escandas e nidhânas” , quer no sentido positivo, quer no negativo. Escreveu J H S na Revista Dhâranâ n 5,6 -formato grande-, pg.111, nov.1954/fev.1955: “A Eubiose não admite o esforço estéril, quer para as energias orgânicas, quer para as potências mentais. Dela nos virá a finalidade e justificação de ambas as espécies de esforço, não só debaixo da face adotada, como todas as infinitas modalidades da atividade humana. Com um critério eubiótico, por exemplo, poderiam ser organizados centros apropriados a todos os trabalhos, capazes de “dar músculos” às pessoas, principalmente de profissão intelectual ou sedentária, pois que os operários já possuem semelhante esporte. Um ofício manual também seria o melhor meio de combater o artritismo dos negociantes e a dispepsia dos intelectuais, como ainda, para poder avaliar as condições, as necessidades do operário, e por ele fazer alguma coisa de favorável, pois que só pode avaliar o mal alheio, quem por ele já passou ou está passando... Sim, mas que elevado seria o “trabalho manual”, como condição, ipso-facto, do operário que dentro do verdadeiro espírito democrático e sem necessidade de evocar doutrinas avançadas, não deve ser, de modo algum, colocado em classe inferior, pois são suas mãos abençoadas que fazem manejar o grande mecanismo produtivo de todos os povos da terra”. “E daí nasceriam reformas plenamente eubióticas, isto é, favoráveis ao aperfeiçoamento e a felicidade dos que são o seu objeto, extensivos, quanto possível, ao seu meio social. Sim, porque onde se pensa e trabalha, não pode haver sofrimento, fome e miséria. Nossa vastíssima EUBIOSE não se dedica, pois, a propiciar a volta à condições primitivas de existência humana, mas ao que elas possuem de favorável, quer material como espiritualmente falando, à Civilização. E quanto a esta, não deseja suprimi-la mas utilizá-la em proveito integral do homem. Basta a sua definição mais completa: “ciência do melhoramento da vida”, em todas as suas formas e debaixo de todos os aspectos, com o fim imediato de assegurar felicidade a quantos a mesma se sujeitem. E assim, a todos quantos, bondosa e pacientemente, nos vêm acompanhando até agora, desejamos uma FELICIDADE INTEGRAL e, consequentemente, EUBIÓTICA na sua vida!” Copyright© Sociedade Brasileira de Eubiose® - SBE – Todos os direitos reservados. Proibida alteração no texto. Permitida a reprodução, desde que sejam citados fonte e autor. Matéria extraída da Série Cultural da Sociedade Brasileira de Eubiose – SBE. www.eubiose.org.br e www.mosaicosdonovociclo.com.br e [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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