ILUSTRADO
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010, 19h:14
A
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TEATRO
A América descoberta
A história é contada de forma bem humorada, com onomatopéias e mímicas, discorrendo sobre a ocupação das américas e o massacre dos índios
Johan Padan, um Zé ninguém desembarca em Cuiabá para contar A Descoberta das Américas. Ele é um tipo malandro e embarca por engano em uma das caravelas de Cristóvão Colombo, após ter sua namorada bruxa assada pela Inquisição. No novo mundo, ele sobrevive a um naufrágio, aprende a língua dos nativos, é preso e quase engolido pelos índios. Safa-se fazendo milagres. Guia um exército indígena que expulsa os invasores. Essa história é contada (ou seria melhor incorporada?) pelo ator Júlio Adrião, através de onomatopéias e mímicas. Trata-se da triste história da ocupação das Américas e dos massacres dos índios. O espetáculo se desenvolve como se uma pessoa voltasse de viagem e reunisse os amigos para contar como foi. Para dar mais veracidade aos fatos e fazer com que seus ouvintes consigam visualizar o que realmente aconteceu, tenta-se reproduzir todos os sons, os trejeitos das outras pessoas, enfim, tenta-se mostrar e não apenas contar a história. No monólogo não há cenário, nem sons, nem efeitos de luz, nem mudança de figurino - nada do que habitualmente se vê em uma peça de teatro. Só, em cena, o ator narra sob o ponto de vista do povo, virando a História pelo avesso. O narrador atua num estado de emergência, movido pela cruel e engenhosa economia da fome do protagonista, que quer sobreviver justamente para narrar sua história. Para narrar interpretando todos os personagens, inclusive peixinhos, índios, espanhóis, cavalos, galinhas, Jesus e Madalena, ele estabelece um pacto de cumplicidade por meio do vocabulário mímico (imagens, gestos e máscaras) e sonoro (palavras, ruídos, onomatopéias), que tende a substituir a fala. Como se estivesse contando aquela história de improviso, cada detalhe provoca a lembrança do seguinte, numa cadeia de significados em que algumas coisas são ditas, outras aludidas, outras inventadas. O desafio é achar o jeito de, a cada noite diferente, jogar com a platéia e fazer com que ela jogue. Jogar como? Decodificando as imagens com a ilusão de ver tudo que o ator sugere. A obra Johan Padan alla Descoverta delle Americhe foi escrita em 1992 pelo italiano Dario Fo (Nobel de literatura em 1977) para comemorar os 500 anos da Descoberta das Américas. Ao tratar da colonização, o texto fala também do Imperialismo e faz alusão às divergências atuais entre os países. (com assessoria) SERVIÇO O QUE: espetáculo cênico A Descoberta das Américas ONDE: Teatro SESC Arsenal QUANDO: 10 e 11/09 - 21:00 e 12/09 - 20:00 QUANTO: R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciários e dependentes) LOTAÇÃO: 250 lugares RECOMENDAÇÃO: faixa etária de 14 anos DURAÇÃO: 90 minutos ENDEREÇO: Rua 13 de junho, s/nº