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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:27

ENTREVISTA

50 anos de Bossa Nova

Quem conhece o seu currículo não tem dúvida de estar diante de um dos maiores dinossauros da MPB brasileira, um homem de produção

Empresário, produtor, diretor de shows e eventos culturais e corporativos, nasceu em Andradas (MG), em 1947. Iniciou sua carreira em 1973 em São Paulo, como empresário do violonista Paulinho Nogueira, que no mesmo ano apresentou a Toquinho, começando ai uma parceria de 25 anos. Com Toquinho, conheceu Vinícius de Moraes de quem foi amigo e último empresário. Um dos criadores do famoso circuito Universitário nos anos 1970, com mais de 2 mil shows, foi responsável ainda pela programação do 150 Night Club Hotel Maksoud Plaza e do TUCA – Teatro da Universidade Católica. Nos eventos que produziu e/ou dirigiu trabalhou com Milton Nascimento, Gal Costa, Ivan Lins, MPB-4, Alceu Valença, Gilberto Gil, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Jorge Benjor, Ornela Vannoni, The Mamas and The Papas e Opus Cuatro, entre outros. Dos eventos culturais destacam-se o Mercosul Cultural (Secretaria de Cultura Brasileira/Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, 1997), em diversos espaços da cidade de São Paulo, reunindo mais de mil artistas em cinco dias. Na área de eventos corporativos, produziu para a Volkswagen, durante nove anos, shows e espetáculos no Brasil e no exterior, entre eles Sérgio Mendes e sua orquestra em Porto Rico em 1993, Ornela Vannoni e Toquinho em Munique 1994 e Milton Nascimento, MPB-4, Opus Cuatro (Argentina) e Quarteto em Cy em Punta Del Este 1999. Para Procter & Gamble, produziu em janeiro de 2000 O Maior Show de Brancura do Mundo, espetáculo que atraiu 50 mil pessoas no Sambódromo do Rio, com diversas atrações entre elas a Escola de Samba Beija-Flor, Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho. Esse empresário também é o responsável por um trabalho maravilhoso chamado anotações com arte, uma agenda que traz textos informativos, ilustrações e muita sensibilidade e poesia. Foi este produto onde o produtor já contemplou Vinicius, Tom, Chico Buarque e neste ano de 2008 homenageia os 50 anos de Bossa Nova, um prato cheio, com entrada e sobremesa, e que motivou a entrevista abaixo concedida ao DC Ilustrado. DC Ilustrado: Com uma profusão de sons e ritmos espetacular, o Brasil é apontado como um dos países mais ricos do mundo, musicalmente falando. Onde entra a Bossa Nova nessa história? Fred: Entra revelando os que, um pouco mais tarde seriam consagrados não apenas no Brasil, mas em várias partes do mundo. Estou falando de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, João Donato que entre tantos outros, alguns de semelhante importância, contribuíram para que a MPB conquistasse espaço definitivo. DC Ilustrado: O sucesso da Bossa Nova, inclusive internacional, e a sua longevidade que meio século depois ainda perdura como produto cultural, é algo fácil de ser explicado? Fred: Sim, pelo alto nível de suas letras bem construídas, recheadas por ricas harmonias. "O belo fica", como dizia Vinícius de Moraes. DC Ilustrado: Já ouvi gente dizer que a Bossa Nova é mais valorizada e reconhecida no exterior, do que no Brasil. Até que ponto isso é verdade? Fred: Não creio, ela é muito valorizada em várias partes do mundo, especialmente Japão, mas também ocupa espaço privilegiado no Brasil. DC Ilustrado: Você é um grande empreendedor da cultura brasileira, notadamente, na área musical. A internet e a tecnologia de ponta estão interferindo bastante no mercado fonográfico. Como você avalia isso? Aponte aspectos negativos e positivos nesse processo... Fred: Negativo pela facilidade com que se copia, positivo quando essa facilidade resulta em mais conhecimento da nossa música, especialmente entre os jovens. DC Ilustrado: A sigla MPB, atualmente, precisa ser revista na opinião de muita gente. A MPB, dizem, precisa abrir o seu leque e o lacre para abraçar com mais justiça a diversidade musical brasileira. Fale sobre isso. Fred: Também acho isso, mas à medida que outros valores vão surgindo, o preconceito dos chamados ícones da MPB, vai diminuindo. Já avançamos bastante nesse sentido a partir de 1980. DC Ilustrado: Há uma impressão de que a Bossa Nova e medalhões da MPB como Caetano, Gil e Chico, pela qualidade e a força da sua criação, ofuscaram a oxigenação da nossa música por um bom tempo. Entretanto, a partir dos anos 80, parece que vem aflorando e conquistando espaço o rock nacional. O que você tem a dizer sobre isso? Fred: Oxalá eu pudesse continuar com a qualidade e a força de criação desses medalhões. Melhor ainda é saber que novas propostas estão se somando a eles. DC Ilustrado: Vou te pedir pra avaliar a cena musical brasileira recente. Estamos num período fértil? Não? Poderia citar nomes, fatos e situações que, em sua opinião, se destacam no contexto dos últimos três ou quatro anos? Fred: Nos últimos anos surgiram novas cantoras, algumas com trabalho autoral, além de belíssimas e bem sucedidas releituras. Entre as que mais me atraem; Fabiana Cozza, Céu, Giana Viscardi, Roberta Sá, Ana Caram, Vanessa da Mata, Mônica Salmaso, ufa! Renato Bras é meu predileto entre os cantores novos, além da sua voz privilegiada, está sempre acompanhado por um repertório de tirar o fôlego. DC Ilustrado: Gêneros como o axé, sertanejo e pagode não costumam ser bem aceitos pela população brasileira mais intelectualizada. Você pode comentar isso? Fred: Não alimento preconceito a nenhum gênero, mas confesso que trocaria esse tal de "sertanejo", por música caipira e regional. Que tal falarmos de Pena Branca, Almir Sater, Zé Gomes, Xangai, Vital Farias, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, etc.? DC Ilustrado: E a tal da música eletrônica, com seus DJs e pickup´s que ribombam por esse mundão afora, balançando o esqueleto de milhões de jovens no planeta... Fred Rossi já foi a alguma festa rave? Poderia falar sobre esse tipo de música? Fred: Desde que tenha motivo, ouço todo gênero de música, mas a minha praia é MPB de primeiríssima qualidade, incluindo aqui música instrumental. Nunca fui a uma RAVE, se for convidado, quem sabe!... DC Ilustrado:Que tipo de informação você nos passa sobre a relação entre a juventude brasileira (artistas e público em geral) e a Bossa Nova, hoje em dia? Fred: A juventude de hoje não tem o mesmo engajamento que teve a dos anos 1970, mas o aparecimento de novos talentos interpretando Bossa Nova, vem contribuindo para que os jovens tomem contato com o gênero. Recentemente fui curador de uma programação intitulada "Agenda Bossa Nova", realizada no Tom Jazz em São Paulo (de setembro à início de dezembro), apresentando entre outros; Carlos Lyra, Alaide Costa, Os Cariocas, Roberto Menescal, Marcos Valle, Leny Andrade, Pery Ribeiro e novas propostas com Juliana Aquino (discobossa), Patty Ascher (Burt Bacharach in Bossa Nova) e João Suplicy (Elvis in Bossa). Na platéia, avós, pais, filhos e netos. Isso mostra que precisamos encontrar meios para levar boa música e cultura a qualquer canto, e não subestimar a capacidade de assimilação do público a ser atingido. DC Ilustrado: Fred, agradeço a entrevista e proponho que você faça o seu comercial em torno da "Anotações com Arte 2008". O que é? Onde adquirir etc... Manda lá! Fred: Obrigado pelo espaço, é só acessar o site www.anotacoescomarte.com.br

Edição EDIÇÃO 16965




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