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Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:26

FÓRMULA-1

Vitórias decidirão campeão mundial

Decisão surpreendente da FIA inverte a ordem: a pontuação adotada desde 2003 servirá como critério de desempate

O campeão da Fórmula 1 em 2009 não será necessariamente o piloto que somar mais pontos nas 17 etapas do Mundial. Em uma mudança histórica no regulamento, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu que, a partir deste ano, o título irá para o piloto com o maior número de vitórias. Os pontos passarão a ser o primeiro critério de desempate, em caso de dois ou mais competidores alcançarem o mesmo número de primeiros lugares. A decisão de mudar o sistema que define o campeão foi surpreendente. Esperava-se que na reunião de ontem a FIA aprovasse um novo sistema de pontuação, com 12 pontos para o vencedor das corridas e nove para o segundo colocado. A ideia da associação das equipes (Fota) era aumentar o valor da vitória, um dos pedidos do público segundo uma pesquisa da entidade. No fim, usando o mesmo argumento, o conselho decidiu por uma única mudança, porém muito mais radical. Neste novo sistema, a pontuação continua sendo a utilizada desde 2003 - chamada de 10-8-6-5-4-3-2-1. As posições no Mundial de Pilotos seguem sendo decididas pelos pontos, com exceção do primeiro lugar. A disputa de Construtores será mantida no modelo tradicional, sem a prevalência do número de vitórias. A primeira proposta recente de contemplar o piloto mais vitorioso com o título foi de Bernie Ecclestone, no fim de 2008. O inglês, que detém os direitos comerciais da categoria, sugeriu que a categoria adotasse um quadro de medalhas, com as vitórias - ou medalhas de ouro - definindo o campeão. Em 2009, os pilotos não receberão medalhas, mas a essência da ideia de Ecclestone foi mantida: quem vencer mais vezes levará o título. Pelo novo sistema, Felipe Massa seria campeão da temporada de 2008, mesmo tendo ficado um ponto atrás de Lewis Hamilton na classificação final. O brasileiro fechou o ano com seis vitórias, contra cinco do inglês da McLaren. Também de acordo com o novo sistema, o tricampeão Nelson Piquet ficaria com um título, e Ayrton Senna teria quatro conquistas. Teto orçamentário – A FIA anunciou outra mudança que deve garantir o futuro das equipes chamadas independentes na Fórmula 1. O Conselho Mundial da entidade definiu que, a partir de 2010, haverá a opção de as escuderias assumirem o compromisso de adotarem um teto orçamentário de 30 milhões de euros (cerca de R$ 95 milhões) por temporada. As equipes que optarem pelo teto orçamentário terão vantagens sobre as demais. Entre os benefícios estão a liberdade de trabalhar componentes aerodinâmicos, o uso de asas móveis e de um motor que não tenha o desenvolvimento congelado ou os giros limitados. Na prática, a FIA pretende que todas as equipes adotem o teto, a fim de equilibrar financeiramente a categoria e diminuir as disparidades entre as escuderias apoiadas por montadoras e as independentes. Mas, caso escuderias como Ferrari, McLaren, BMW e Toyota queiram desenvolver seus carros fora do teto orçamentário, elas terão esta opção. Todavia, perderão possibilidades técnicas de evolução dos modelos. Além dos benefícios mecânicos, quem optar por seguir o limite de gastos não terá restrições no número de testes, simulações e utilização dos túneis de vento. A FIA afirmou que fará uma auditoria constante sobre as equipes que aderirem ao teto orçamentário. O limite de gastos já incluirá o salário dos pilotos e funcionários - o que pode ser o maior empecilho para as equipes de ponta. As únicas despesas que ficam fora do cálculo são o motorhome e eventuais multas.

Edição EDIÇÃO 16969




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