ESPORTES
Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2007, 18h:16
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CORINTHIANS
Torcedores cobram e hostilizam Sanches
Presidente assume culpa pelo rebaixamento e promete a montagem de um time capaz de voltar a dar alegrias
VITOR MARQUES
Da Agência Estado São Paulo
Dizem que todos os times têm uma torcida. E que, no Corinthians, a torcida tem um time. Um dia após o rebaixamento à Série B do Brasileiro, os torcedores corintiano, ou pelo menos uma parte deles, mostraram que são os "donos" do clube do Parque São Jorge. E quem sofreu com a fúria dos torcedores ontem foi o presidente do clube, Andrés Sanchez, que teve de encarar a insatisfação de cerca de 100 integrantes da Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, que haviam acabado de chegar de Porto Alegre, onde a equipe selou a queda à Série B. Sob olhares de policiais armados, o presidente do Corinthians foi ofendido dentro do Parque São Jorge e ouviu, calado, um verdadeiro sermão dos torcedores. "Você, Andrés, é um sem-vergonha, um lixo como dirigente. É o pior presidente da história do clube. O pior. Você caiu com o Corinthians", dizia um homem de aproximadamente 1,90m e 200kg, que atendia pelo nome de Monga. Os membros da Gaviões "exigiam" um esclarecimento do presidente corintiano, que esteve cara a cara com os torcedores por cerca de 15 minutos. Monga, que apontava insistentemente o dedo próximo ao rosto do dirigente, era um dos mais exaltados. Ele não tolerava a ligação de Andrés Sanchez com a administração de Alberto Dualib, o antigo presidente do clube. "Você só chegou à presidência porque também se beneficiou da corrupção. Você sabia do Boris (Berezovsky), da MSI, de tudo", repetia o torcedor, que pedia que Andrés Sanchez olhasse nos seus olhos. "Sou um torcedor e, como vocês, estou envergonhado. Mas admito que tenho minha parcela de culpa", rebatia o presidente, que vestia uma camiseta pólo com o distintivo corintiano ao invés do tradicional terno e gravata. Esse incidente mostra o quanto o Corinthians se transformou em um barril de pólvora depois do vergonhoso rebaixamento. E que o discurso da torcida organizada, que havia acolhido o time na reta final do Brasileirão, mudou. Como de costume, e com a autorização do clube, os torcedores tomaram o Parque São Jorge para protestar contra os jogadores. "Temos de deixar eles entrar para que possamos retribuir o apoio deles", dizia a ex-presidente do Corinthians, Marlene Matheus, que apóia a administração de Andrés Sanchez, antes da "invasão" de ontem à tarde. A força tática da Polícia Militar, que desde domingo não arreda pé do Parque São Jorge, assistia à manifestação dos torcedores. Cerca de 30 homens estavam de prontidão, munidos de cassetetes, pistolas e escopetas. Um dos policiais achava um desatino a entrada de torcedores numa situação como essa. "Fico triste por ter viaturas aqui e muitos seguranças na frente do clube, mas tenho que proteger o patrimônio", explicou Andrés Sanchez. "Mas sempre terei respeito aos torcedores, como eles sempre tiveram comigo." A reação dos torcedores mostra que não funcionou o discurso da cúpula corintiana de culpar a antiga diretoria pelo rebaixamento do time. Antes da "sabatina" da Fiel, o presidente concedeu uma entrevista coletiva aos jornalistas. Na entrevista, Andrés Sanchez não disse nada de novo. Não esclareceu como irá conduzir a reformulação no departamento de futebol. Nem se o técnico Nelsinho Baptista continua ou não no comando. "Chegamos ao fundo do poço. Mas eu peguei um Corinthians doente, em estado terminal, e não consegui salvar", admitiu o presidente, quase às lágrimas, quando falava com os jornalistas. No final do conturbado dia no Parque São Jorge, Andrés Sanchez pulou e gritou o hino do clube junto com os torcedores da Gaviões da Fiel. Uma festa. Seria cômico se não fosse trágico.